O que é escopo

escopo | s. m.
es·co·po |ô| es·co·po |ô|
(latim scopus, -i, do grego skopós, -oú, observador, espião, vigilante )
substantivo masculino

1. Local bem determinado a que se aponta para atingir. = ALVO, MIRA

2. Objectivo que se pretende atingir. = DESÍGNIO, FIM, INTUITO, PROPÓSITO

3. Limite ou abrangência de uma operação (ex.: ainda não definiram o escopo da campanha).Plural: escopos |ô|. Plural: escopos |ô|.Confrontar: escopro.


substantivo masculino Ponto que se deseja alcançar; alvo: o escopo da proposta era erradicar a fome.
Aquilo que se tem por finalidade; propósito.
Somatória de tudo que se pode referir a um projeto; descrição detalhada de um projeto, de seus propósitos: escopo de projeto.
Delimitação das atividades: traçou o escopo de sua profissão.
Extensão irrestrita ou ocasião favorável ao pensamento, à ação: descrever uma ciência é expressar seu real escopo.
[Gramática] Elemento gramatical através do qual se interpreta o predicado.
Etimologia (origem da palavra escopo). Do grego skopós.oû; pelo latim scopus.i.


O escopo, no âmbito da gestão de projetos, designa a especificação do limite dentro do qual os recursos de sistema podem ser utilizados, ou seja, o seu propósito.No âmbito da Matemática, o escopo de um operador pode ser explicado através de alguns exemplos.
Na aritmética, quando adicionamos uma lista de números; por exemplo:

2
+
4
+
5

{\displaystyle 2+4+5}
, a ordem da adição não faz diferença para o resultado (se primeiro adicionamos 2 e 4 , ou se primeiro adicionamos 4 e 5). Todavia, quando outra operação está envolvida, a ordem faz diferença. P.ex., faz diferença para o resultado de

2
+
4
×
5

{\displaystyle 2+4\times 5}
, se primeiro adicionamos 2 e 4, e depois multiplicamos o resultado por 5, ou se primeiro multiplicamos 4 e 5, e depois adicionamos 2. Assim,

2
+
4
×
5

{\displaystyle 2+4\times 5}
é ambígua entre

2
+
(
4
×
5
)

{\displaystyle 2+(4\times 5)}
e

(
2
+
4
)
×
5

{\displaystyle (2+4)\times 5}
, ambigüidade que pode ser facilmente evitada, como fica claro, usando parênteses.
Procede-se da mesma maneira em lógica, tal como no chamado cálculo proposicional. Por exemplo, em notação quase-formal, distinguimos ((P ou Q) e R), de (P ou (Q e R)) — onde P , Q e R são variáveis proposicionais, e ou e e têm a força lógica da disjunção e da conjunção. O recurso aos parênteses, nesse caso, também evita ambiguidades, de modo que uma fórmula complexa possa ser decomposta de uma única maneira em seus átomos, e pela atribuição de um valor de verdade aos átomos resulte um único valor de verdade para a fórmula complexa.
Fálacias de escopo podem ser geradas, também, quando estão envolvidos operadores do cálculo de predicados, ou seja os quantificadores existenciais e universais, em particular, no que se chama “generalidade múltipla”. Por exemplo:

(1) Todo garoto ama uma garota.Essa frase admite pelo menos duas leituras, conforme consideremos como amplo ou como restrito os escopos dos quantificadores universal (representado por “todo”) e existencial (representado por “uma”).
Talvez os casos mais interessantes para o exame da noção de escopo sejam aqueles envolvendo a interação entre operadores chamados extensionais (como os do cálculo proposicional e do cálculo de predicados) e operadores chamados intensionais ou hiperintensionais (como os das váriaveis lógicas modais e epistêmicas). Por exemplo:

(2) Todos os números pares são necessariamente múltiplos de 2.em que interagem o quantificador universal e o operador modal (representado por “necessariamente”). Willar Quine objetou a certas interações entre operadores modais e extensionais por nos comprometerem com alguma forma de essencialismo.
Um dos mais famosos tratamentos dado à noção de escopo — e que nortearia uma parte do debate em torno das relações entre referência e modalidade — é o de Bertrand Russell, em sua teoria das descrições definidas. Russell distingue a ocorrência primária de uma descrição da ocorrência secundária (ou n-ária) da mesma ou de outra descrição — o que nada mais é também do que uma distinção de escopo –, relativamente aos escopos de outros operadores. Por exemplo:

(3) George IV crê que Scott é o autor de Waverley.admitiria, segundo Russell, duas interpretações, conforme a descrição definida “o autor de Waverley” tenha uma ocorrência primária, a saber,

(3.1) Existe pelo menos um x, existe no máximo um x, e x escreveu Waverley, e George IV crê que Scott=x.ou conforme a descrição definida tenha uma ocorrência secundária, a saber,

(3.2) George IV crê que existe pelo menos um x, que existe no máximo um x, e que x escreveu Waverley.A análise de (3) procede de acordo com as regras que Russell fornece informalmente em “On Denoting” (1905) e formalmente em Principia Mathematica (1910-13).
Numa terminologia que também pode ser usada para capturar as distinções propostas por Russell, diz-se que em (3.2) a atitude proposicional crer é de dicto, i.e., que George IV crê numa proposição (dictum), nesse caso, numa proposição geral; e que em (3.1) temos uma atitude de re, a crença de George IV numa coisa (res) (cf. crença). Uma questão adicional envolvida é saber de que entidade essa atitude é de re — se é que é de alguma entidade.


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