bookmark_borderO que é antiquário

antiquário | s. m. | adj.
an·ti·quá·ri·o
(latim antiquarius, -ii, que gosta de antiguidades )
nome masculino

1. Coleccionador de antiguidades .

2. Pessoa que estuda antiguidades ou coisas antigas.

3. Comerciante de antiguidades .

4. Loja de antiguidades .adjectivo adjetivo

5. [Pouco usado]   [Pouco usado]   Relativo a coisas antigas.


substantivo masculino Comerciante que vende objetos antigos.
Loja de coisas antigas.
Estudioso ou colecionador de antiguidades.


Antiquário (do latim antiquarius, aquele que gosta de antiguidades) pode designar tanto um entusiasta, admirador ou comerciante de coisas antigas, quanto um estudioso que se dedica à investigação sobre as antiguidades, isto é, todo tipo de evidência material ligada ao passado. O antiquariato é a modalidade de pesquisa dos estudos históricos desenvolvida pelo antiquário desde a Antiguidade até o final do século XIX, caracterizada por uma abordagem que inclui a erudição, a categorização, a descrição sistemática e o levantamento de fontes. O papel da pesquisa antiquária é avaliado por muitos como fundamental para o desenvolvimento metodológico de disciplinas históricas, particularmente a história e a arqueologia.
As origens da pesquisa antiquária são identificadas nas civilizações da antiguidade situadas no Antigo Egito, na Mesopotâmia, na Grécia Antiga, na Roma Antiga e na China. Dentre as características principais do antiquariato neste período, pode-se citar o forte vínculo da pesquisa com a religião e a política, tendo em vista o fato de que todas elas buscaram, de alguma forma, restaurar tradições culturais e cultos religiosos do passado através do estudo sobre as suas evidências materiais, cada uma à sua maneira. No período medieval, estudos indicam a existência do antiquariato na Europa desde a Alta Idade Média, praticado por governantes e membros da aristocracia. Há bastante controvérsia sobre o caráter e a relevância do antiquariato nas sociedades europeias, sua relação com os antiquários romanos e o peso do poder eclesiástico na sua orientação. Enquanto alguns percebem a influência do antiquariato romano desde o século VIII, outros afirmam que esta só viria a acontecer a partir do século XV. Os estudos sobre o antiquário chinês neste período concordam que a investigação sobre as antiguidades torna-se significativa a partir do século XI, durante a Dinastia Song, com a publicação das primeiras obras que compuseram a base de uma tradição de pesquisa continuada nos séculos seguintes, pautada especialmente no comentário extensivo sobre fragmentos epigráficos.
No decorrer dos séculos XV, XVI e XVII, muitos pesquisadores consideram que houve uma gradativa retomada dos conceitos romanos da pesquisa antiquária, que valorizavam o estudo do passado clássico, assim como uma abordagem que se baseava nas técnicas específicas operadas pelos antiquários antigos, como a escrita sistemática e descritiva, em decorrência de um movimento de renovação dos estudos sobre as línguas clássicas no contexto europeu. Segundo esta perspectiva, o antiquariato renascentista teria se iniciado na Itália do Quattrocento, e a partir de então se espalhado por boa parte da Europa na forma de uma metodologia científica organizada. Neste período, o antiquariato não foi de menor importância na China, que deu sequência aos estudos epigráficos dos séculos anteriores, embora alguns estudos apontem um declínio dos estudos antiquários entre os séculos XV e XVII. Entre os séculos XVIII e XIX, para grande parte dos estudiosos no tema, houve o ápice da pesquisa antiquária, reunida em torno de diversas sociedades eruditas que se difundiram pela Europa. O antiquariato europeu moderno travou um intenso diálogo com outras disciplinas históricas, como a história e a arqueologia. Uma das características centrais do antiquário, no século XVIII europeu, foi a preferência pelo estudo das antiguidades regionais, que se tornavam objetos de diversas pesquisas que tinham por objetivo a restauração do passado regional das nações europeias, não se limitando à antiguidade clássica. Também no caso chinês considera-se o século XVIII como o apogeu do antiquariato, levado a cabo por estudiosos da Dinastia Qing. No que diz respeito ao Japão, estudos afirmam que, no decorrer do setecentos, a pesquisa antiquária já se difundia na sociedade, sendo incorporada por diferentes grupos sociais. No Brasil, alguns elementos do antiquariato moderno influenciaram estudiosos ligados a instituições vinculadas aos estudos históricos, como a Academia Brasílica dos Esquecidos, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Durante o século XX o antiquário paulatinamente desapareceu enquanto um estudioso erudito das antiguidades, tendo suas práticas de pesquisa sido incorporadas por diversas outras ciências mais especializadas. As Sociedades Antiquárias, que ao longo do período moderno serviram como local de encontro, produção e divulgação de pesquisa científica por indivíduos que se identificavam como antiquários, entraram em declínio após a separação e especialização das disciplinas dos estudos históricos e clássicos. Em função disto, atualmente a palavra antiquário é quase invariavelmente associada a uma loja ou a um comerciante de objetos ou livros antigos (v. Antiquário (local)). O antiquariato esteve sempre em contato com a historiografia, sendo possível dizer que as duas ciências se influenciaram mutuamente ao longo da história. De forma semelhante, o antiquariato foi de suma importância para a constituição da arqueologia no século XIX. Todavia, certas características são próprias a cada uma destas abordagens, sendo necessário elaborar algumas distinções terminológicas entre antiquários, historiadores e arqueólogos. Além disso, a figura do antiquário foi objeto de inúmeras figurações ao longo do período moderno, tanto nas artes visuais, quanto na literatura e na filosofia, como mostram os romances e ficções de Walter Scott e Montague Rhodes James, assim como a obra de Friedrich Nietzsche.