bookmark_borderO que é alienação

alienação | s. f. derivação fem. sing. de alienar
a·li·e·na·ção
(latim alienatio, -onis )
nome feminino

1. Acto ou efeito de alienar ou de se alienar. = ALIENAMENTO

2. Cessão ou transmissão de bens ou direitos. ≠ INALIENAÇÃO

3. Arroubamento de espírito.

alienação fiduciária • [Direito]   • [Direito]   Transferência de um bem, feita pelo devedor à entidade ou empresa financiadora, até que seja feito o pagamento da dívida.
a·li·e·nar a·li·e·nar – Conjugar
(latim alieno, -are )
verbo transitivo

1. Transferir para domínio alheio (por venda, troca, doação, etc.).

2. Alucinar.

3. Malquistar.verbo pronominal

4. Enlouquecer; alhear-se.


substantivo feminino Transferência de propriedade ou de direito: alienação de bens.
Resultado do abandono ou efeito da falta de um direito: alienação paternal.
[Informal] Desinteresse por questões políticas ou sociais: alienação política.
[Psicologia] Perda da razão; loucura: alienação mental.
[Psicologia] Estado da pessoa que, tendo sido educada em condições sociais determinadas, se submete cegamente aos valores e instituições dadas, perdendo assim a consciência de seus verdadeiros problemas.
[Psicologia Patologia] No desenvolvimento de um sintoma clínico algumas pessoas ou situações comuns tornam-se estranhas ou perdem sua natureza familiar.
[Filosofia] Segundo o hegelianismo, momento em que a consciência se torna desconhecida a si própria ou a sua própria essência.
Ação ou efeito de alienar: alienação de uma propriedade.
expressão Alienação Fiduciária. Contrato entre o devedor (fiduciante) e o credor (fiduciário) em que a posse do bem só é transferida pelo credor ao devedor, após o pagamento completo do valor em dívida.
Alienação Parental. Situação em que um dos progenitores é impedido de estar com o(s) filho(s), sendo afastado do convívio com a criança.
Etimologia (origem da palavra alienação). Do latim alienatione.m.


Alienação (do latim alienatione) nas Ciências sociais, é um conceito que designa indivíduos que estão alheios a si próprios ou a outrem tornando-se escravos de atividades ou instituições humanas, devido a questões econômicas, sociais ou ideológicas. Desta forma, refere-se também à diminuição da capacidade dos indivíduos em pensarem e agirem por si próprios. Há quem defina a alienação como “a falta de consciência por parte do ser humano de que ele possui um grau de responsabilidade na formação do mundo a seu redor, e vice-versa”.Deste conceito filosófico-sociológico, derivaram-se outros usos da palavra, como por exemplo, na psiquiatria, pode ser usada como um sinônimo de loucura. No Direito, existem a alienação de um bem, a Alienação parental e a Alienação fiduciária. Ainda que a alienação seja um conceito a priori filosófico, existe o conceito de alienação mais propriamente na Filosofia Marxista.


bookmark_borderO que é intolerância

intolerância | s. f.
in·to·le·rân·ci·a
substantivo feminino

1. Falta de tolerância.

2. Violência.


substantivo feminino Característica do que é intolerante ou repugnância.
Ausência de tolerância ou falta de compreensão.
Comportamento – atitude odiosa e agressiva – de caráter político ou religioso, daqueles que possuem diferentes opiniões.
Intransigência a diferentes opiniões.
[Medicina] Impossibilidade corporal para suportar certas substâncias não tóxicas, mas que são capazes de produzir reações alérgicas.
Etimologia (origem da palavra intolerância). Do latim intolerantia.


Intolerância é uma atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar diferenças em crenças e opiniões.
Num sentido político e social, intolerância é a ausência de disposição para aceitar pessoas com pontos de vista diferentes. Como um constructo social, isto está aberto a interpretação. Por exemplo, alguém pode definir intolerância como uma atitude expressa, negativa ou hostil, em relação às opiniões de outros, mesmo que nenhuma ação seja tomada para suprimir tais opiniões divergentes ou calar aqueles que as têm. Tolerância, por contraste, pode significar “discordar pacificamente”. A emoção é um fator primário que diferencia intolerância de discordância respeitosa.
A intolerância pode estar baseada no preconceito, podendo levar à discriminação. Formas comuns de intolerância incluem ações discriminatórias de controle social, como racismo, sexismo, antissemitismo , homofobia, heterossexismo, etaísmo (discriminação por idade), intolerância religiosa e intolerância política. Todavia, não se limita a estas formas: alguém pode ser intolerante a quaisquer ideias de qualquer pessoa.
É motivo de controvérsia a legitimidade de um governo em aplicar a força para impedir aquilo que ele considera como incitamento ao ódio. Por exemplo, a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos da América permite tais manifestações sem risco de ação criminal. Em países como Alemanha, França, Portugal e Brasil, as pessoas podem ser processadas por tal atitude. Esta é uma questão sobre quanta intolerância um governo deve aceitar e como ele decide o que constitui uma manifestação de intolerância.
Enquanto prossegue o debate sobre o que fazer com a intolerância alheia, algo que frequentemente ignora-se é como reconhecer e lidar com a nossa própria intolerância.


bookmark_borderO que é destino

destino | s. m. 1ª pess. sing. pres. ind. de destinar
des·ti·no
(derivação regressiva de destinar )
nome masculino

1. Combinação de circunstâncias ou de acontecimentos que influem de um modo inelutável. = FADO, FORTUNA, SINA, SORTE

2. Situação resultante dessa combinação.

3. Emprego, aplicação.

4. Fatalidade.

5. Direcção .

6. Lugar a que se dirige alguém ou é dirigida alguma coisa.

7. [Informal]   [Informal]   Sumiço.

sem destino • Ao acaso.
des·ti·nar des·ti·nar – Conjugar
verbo transitivo

1. Determinar antecipadamente.

2. Designar o objecto ou o fim de.

3. Reservar.

4. Educar para.


substantivo masculino Sucessão de acontecimentos que não se consegue evitar; fado.
Fatalidade a que estariam sujeitas todas as pessoas e todas as coisas do mundo: ninguém é senhor do seu próprio destino.
Que não se pode prever; futuro: meu destino nem eu sei.
Propósito de alguma coisa; serventia, emprego, aplicação.
Direção que se segue; rumo: andar sem destino.
Local onde se quer chegar; meta: projeto sem destino certo.
A própria existência; vida: azares do destino.
Etimologia (origem da palavra destino). Forma regressiva de destinar.


O Destino é geralmente concebido como uma sucessão inevitável de acontecimentos relacionada a uma possível ordem cósmica. Portanto, segundo essa concepção, o destino conduz a vida de acordo com uma ordem natural, segundo a qual nada do que existe pode escapar. Concepção antiga, é presente em algumas mitologias, como por exemplo, na mitologia grega, através das Moiras, mas também em correntes filosóficas, como é o caso do fatalismo. Ex: se duas pessoas são de mesmo signo, concluiu então que elas são alma gêmea (destino).
Segundo Nicola Abbagnano(filósofo Italiano do sec.xx), o destino é a “Ação necessitante que a ordem do mundo exerce sobre cada um de seus seres singulares”. Na sua formulação tradicional, esse conceito implica: (1º) necessidade, quase sempre desconhecida e por isso cega, que domina cada indivíduo do mundo enquanto parte da ordem total; (2º) adaptação perfeita de cada indivíduo ao seu lugar, ao seu papel ou à sua função no mundo, visto que, como engrenagem da ordem total, cada ser é feito para aquilo que faz.
O conceito de Destino é antiquíssimo e bastante difundido, porque compartilhado por todas as filosofias que, de algum modo, admitem uma ordem necessária do mundo. Aqui só faremos alusão às que designam explicitamente essa ordem com o termo em questão. O Destino é noção dominante na filosofia estoica. Crisipo, Posidônio e Zenão reconheceram-no como a “causa necessária” de tudo ou a “razão” pela qual o mundo é dirigido. Identificavam-no com a providência (DiÓG. L., VII, 149). Os estoicos latinos retomam essa noção e apontam os seus reflexos morais (SÊNECA, Natur. quaest., II, 36, 45; MARCO AURÉLIO, Memórias, IX, 15). Segundo Plotino, ao D. que domina todas as coisas exteriores só escapa a alma que toma como guia “a razão pura e impassível que lhe pertence de pleno direito”, que haure em si, e não no exterior, o princípio de sua própria ação (Enn., III, 1,9). Para Plotino, a providência é uma só: nas coisas inferiores chama-se Destino; nas superiores, providência {ibid., III, 3, 5). De modo análogo, para Boécio (que com a Consolação da filosofia transmitia esses problemas à Escolástica latina), Destino e providência só se distinguem porque a providência é a ordem do mundo vista pela inteligência divina e o Destino é essa mesma ordem desdobrada no tempo. Mas no fundo a ordem do Destino depende da providência (Phil. cons., IV, 6,10). O livre-arbítrio humano subtrai-se da providência e do Destino só porque as ações a que dá origem se incluem, exatamente em sua liberdade, na ordem do Destino (Ibid., V, 6). Essa solução deveria inspirar todas as soluções análogas da Escolástica, que conserva o mesmo conceito de Destino e de providência (cf., p. ex., S. TOMÁS, S. Th., I, q. 116, a. 2). Em sua Teodicéia, Leibniz repropunha a mesma solução (Théod., I, § 62).
Na filosofia do Romantismo, enquanto Schopenhauer considera o Destino como ação determinante, no homem e na história, da Vontade de vida na sua natureza dilacerante e dolorosa (Die Welt, II, cap. 38), Hegel limita o Destino à necessidade mecânica. “À potência”, diz ele, “como universalidade objetiva e violência contra o objeto, dá-se o nome de Destino: conceito que se inclui no mecanicismo porquanto o Destino é chamado de cego, ou seja, sua universalidade objetiva não é conhecida pelo sujeito em sua propriedade ou particularidade específica” (WissenschqftderLogik, III, II, 1, B, b; trad. it., III, p. 199). Nesse sentido, o Destino é a própria necessidade racional do mundo, mas enquanto ignorante de si mesma e, portanto, “cega”. Mas durante esse mesmo período, do ponto de vista de necessidade “puramente racional”, tanto interpretada como dialética, quanto como determinismo causal, a palavra Destino começou a parecer fantástica ou mítica demais para designar essa necessidade. Foi então abandonada e substituída por termos que exprimem a natureza objetiva e causal da necessidade, como p. ex. necessidade, dialética, determinismo, causalidade; no domínio da ciência, é regida pelas “leis eternas e imutáveis da natureza”.
Quando a palavra Destino volta, em Nietzsche e no existencialismo alemão, tem novo significado: exprime a aceitação e a voliçâo da necessidade, o amorfati. Nietzsche foi o primeiro a expressar esse conceito tão característico de certa tendência da filosofia contemporânea. Ele interpreta a necessidade do devir cósmico como vontade de reafirmação: desde a eternidade o mundo aceita-se e quer-se a si mesmo, por isso repete-se eternamente. Mas o homem deve fazer aígo mais que aceitar esse pensamento: deve ele próprio prometer-se ao anel dos anéis: “É preciso fazer o voto do retorno de si mesmo com o anel da eterna bênção de si e da eterna afirmação de si; é preciso atingir a vontade de querer retrospectivamente tudo o que aconteceu, de querer para a frente tudo o que acontecerá” (Wille zurMacht, ed. 1901, § 385). Esse é o amorfati, no qual Nietzsche vê a “fórmula da grandeza do homem”. Heidegger não fez senão exprimir o mesmo conceito ao falar do Destino como decisão autêntica do homem. Destino é a decisão de retornar a si mesmo, de transmitir-se a si mesmo e de assumir a herança das possibilidades passadas. “A repetição é a transmissão explícita, ou seja, o retorno a possibilidades do ser-aí que já foram” (Seín und Zeit, § 74). Nesse sentido, o Destino é “a historicidade autêntica”: consiste em escolher o que já foi escolhido, em projetar o que já foi projetado, em reapresentar para o futuro possibilidades que já foram apresentadas. É, em outros termos, a vontade da repetição, o reconhecimento e a aceitação da necessidade. Esse conceito volta em Jaspers, que, no entanto, expressa-o com referência à identidade estabelecida entre o eu e sua situação no mundo. O Destino é a aceitação dessa identidade: “Amo-o como me amo porque só nele estou cônscio de meu existir”. Aqui também o Destino nada mais é que a aceitação e o reconhecimento da própria natureza da necessidade, que, para Jaspers, é a identidade do homem com sua situação (Phil, II, p. 218 ss.).
Essa última noção de Destino exprime bem certas tendências da filosofia contemporânea. Na origem de sua longa tradição, essa noção implicava: (1) uma ordem total que age sobre o indivíduo, determinando-o; (2) o indivíduo não se apercebe necessariamente da ordem total nem de sua força necessitante: o Destino é cego. O conceito contemporâneo eliminou ambas as características. Para ele: (1) a determinação necessitante não é a de uma ordem (nem mesmo para Nietzsche), mas a de uma situação, a repetição; e (2) o Destino não é cego porque é o reconhecimento e a aceitação deliberada da situação necessitante.”


bookmark_borderO que é violência

violência | s. f.
vi·o·lên·ci·a
substantivo feminino

1. Estado daquilo que é violento.

2. Acto violento.

3. Acto de violentar.

4. Veemência.

5. Irascibilidade.

6. Abuso da força.

7. Tirania; opressão.

8. [Jurídico, Jurisprudência]   [Jurídico, Jurisprudência]   Constrangimento exercido sobre alguma pessoa para obrigá-la a fazer um acto qualquer; coacção .

violência doméstica • Tipo de violência praticada no âmbito familiar, entre pessoas com relações de parentesco.


substantivo feminino Qualidade ou caráter de violento, do que age com força, ímpeto.
Ação violenta, agressiva, que faz uso da força bruta: cometer violências.
[Jurídico] Constrangimento físico ou moral exercido sobre alguém, que obriga essa pessoa a fazer o que lhe é imposto: violência física, violência psicológica.
Ato de crueldade, de perversidade, de tirania: regime de violência.
Ato de oprimir, de sujeitar alguém a fazer alguma coisa pelo uso da força; opressão, tirania: violência contra a mulher.
Ato ou efeito de violentar, de violar, de praticar estupro.
Etimologia (origem da palavra violência). Do latim violentia.ae, “qualidade de violento”.


Violência é definida pela Organização Mundial da Saúde como “o uso intencional de força física ou poder, ameaçados ou reais, contra si mesmo, contra outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade, que resultem ou tenham grande probabilidade de resultar em ferimento, morte, dano psicológico, mau desenvolvimento ou privação”, embora o grupo reconheça que a inclusão de “uso do poder” em sua definição expande a compreensão convencional da palavra.Globalmente, a violência resultou na morte de cerca de 1,28 milhões de pessoas em 2013, contra 1,13 milhões em 1990. Das mortes em 2013, cerca de 842.000 foram atribuídas a auto-destruição (suicídio), 405.000 para a violência interpessoal e 31.000 para a violência coletiva (guerras) e intervenção legal. Corlin, ex-presidente da Associação Médica Americana diz que para cada morte por violência, há dezenas de hospitalizações, centenas de visitas a emergências e milhares de consultas médicas.Em 2013, assalto por arma de fogo foi a principal causa de morte devido à violência interpessoal, com 180.000 dessas mortes estimadas terem ocorrido. No mesmo ano, assalto por objeto afiado resultou em aproximadamente 114.000 mortes, com 110.000 mortes restantes de violência pessoal sendo atribuídas a outras causas.A violência em muitas formas é evitável. Existe uma forte relação entre os níveis de violência e os fatores modificáveis, como a pobreza concentrada, a desigualdade de renda e de gênero, o uso nocivo do álcool e a ausência de relações seguras, estáveis e estimulantes entre as crianças e os pais. As estratégias que abordam as causas subjacentes da violência podem ser eficazes na prevenção da violência.


bookmark_borderO que é meritocracia

meritocracia | s. f.
me·ri·to·cra·ci·a
(mérito + -cracia )
nome feminino

1. [Sociologia]   [Sociologia]   Forma de liderança que se baseia no mérito, nas capacidades e nas realizações alcançadas, em detrimento da posição social.

2. Sistema social onde se pratica esse tipo de liderança.

3. Grupo de líderes pertencentes a esse sistema.


substantivo feminino Predominância dos que possuem méritos; predomínio das pessoas que são mais competentes, eficientes, trabalhadoras ou superiores intelectualmente, numa empresa, grupo, sociedade, trabalho etc.
Modo de seleção cujos preceitos se baseiam nos méritos pessoais daqueles que participam: conseguiu o trabalho por meritocracia.
Método que consiste na atribuição de recompensa aos que possuem méritos: foi eleito o funcionário do mês por meritocracia.
Etimologia (origem da palavra meritocracia). Mérito + o + cracia.


O termo Meritocracia, neologismo — do latim mereo (‘ser digno, merecer’) e do grego antigo κράτος, transl. krátos (‘força, poder’) — estabelece uma ligação direta entre mérito e poder.Tanto a palavra mérito quanto a palavra poder têm diversos significados, o que faz com que o termo meritocracia seja polissémico. Desta maneira o termo pode tanto: ser interiorizado como um princípio de justiça (às vezes qualificado de utópico), e ainda, simultaneamente, criticado como um instrumento ideológico voltado para a manutenção de um sistema político desigual.Um modelo meritocrático é um princípio ou ideal de organização social que busca promover os indivíduos — nos diferentes espaços sociais: escola, universidade, instituições civis ou militares, trabalho, iniciativa privada, poder público, etc — em função de seus méritos (aptidão, trabalho, esforços, competências, inteligência, virtude) e não de sua origem social (sistema de classes), de sua riqueza (reprodução social) ou de suas relações individuais (fisiologismo, nepotismo ou cooptação).
Sociólogos, pedagogos e filósofos discutem como explicar o modelo meritocrático onde

Estes pesquisadores destacam os falhas e as insuficiências desse modelo: ausência real de igualdade de oportunidades, sua incapacidade de resolver, sozinho, as desigualdades (sociais, culturais, sexuais, etc) e sua limitada eficácia como “princípio de justiça”, todas sujeitas a críticas. Para a maior parte dos pesquisadores, a verdadeira meritocracia — aquela que ofereceria, a cada um, aquilo que se mostrasse digno de obter — jamais existiu, em razão da falta, por exemplo, de medidas eficazes para compensar a desvantagem dos indivíduos, sejam elas biológicas (desde condições genéticas, até limitações fisiológicas), sociais ou econômicas.Segundo Marie Duru-Bellat, a noção de mérito tem um caráter consensual e por isso “a meritocracia (…) gradualmente se impôs como o mais importante princípio de justiça, sobretudo na escola onde está no centro de seu funcionamento”. Para François Dubet — que considera que “este modelo de justiça e igualdade tem uma força essencial: não existe nenhum outro!” — a meritocracia é uma “ficção necessária”. Diversos pesquisadores — considerando que a ordem criada por ela não é uma verdadeira meritocracia — a qualificam de ideologia meritocrática, ou ainda de “mistificação”, até mesmo de mito, dado o efeito prejudicial que apresenta quando, sem uma reflexão crítica sobre a natureza dos sistemas aos quais é aplicada (sociedade, Estado, escola, mundo do trabalho, etc), sem uma definição clara da noção de mérito ou da modalidade de recompensa e sem as ferramentas complementares para correção das desigualdades pré-existentes, o modelo meritocrático produz efeitos muito distantes do ideal a que se propõe. Por exemplo ao reproduzir as desigualdades sociais, acaba por legitimá-las, atribuindo aos “perdedores” toda a responsabilidade por seu “fracasso”.


bookmark_borderO que é poder

poder | v. tr. | v. tr. e intr. | v. intr. | v. auxil. | s. m. | s. m. pl.
po·der |ê| po·der |ê| – Conjugar
(latim vulgar *potere, de possum, posse, ser capaz de, poder )
verbo transitivo

1. Ter a faculdade de (ex.: eu posso fazer o que me apetecer).

2. Ter ocasião ou possibilidade de (ex.: não pôde falar com ele ontem).

3. Estar sujeito a (ex.: cuidado que podes cair).

4. Ter autorização ou permissão para (ex.: os filhos dele ainda não podem sair até tarde).

5. Estar em condições para (ex.: posso conduzir porque não bebi álcool).

6. Ter direito, razão ou motivo para (ex.: tenho de ir para casa porque os gatos podem estar com fome).

7. Suportar, tolerar (ex.: ela não pode com os amigos do marido).

8. Ter capacidade ou força para (ex.: não pode ver cenas de violência).

9. Ter autoridade para (ex.: ele acha que pode dizer o que quiser, porque é o patrão).verbo transitivo e intransitivo

10. Ter força física ou moral para (ex.: ainda é novo mas já pode com muitos quilos; não posso com estes sacos; é mulher, mas pode como qualquer homem).verbo intransitivo

11. Ter força, possibilidade, autoridade, influência para (ex.: ela acha que pode e faz).verbo auxiliar

12. Usa-se seguido de infinitivo para indicar possibilidade de ocorrência (ex.: isso pode acontecer) ou pedido de autorização (ex.: posso entrar?).substantivo masculino

13. Possibilidade, faculdade.

14. Força física, vigor do corpo ou da alma.

15. Império, soberania.

16. Mando, autoridade.

17. Força ou influência.

18. Posse, jurisdição, domínio, faculdade, atribuição.

19. Governo de um Estado.

20. Importância, consideração.

21. Grande quantidade, abundância.

22. Força militar.

23. Eficácia, efeito, virtude.

24. [Jurídico, Jurisprudência]   [Jurídico, Jurisprudência]   Capacidade de fazer uma coisa.

25. Mandato, procuração.

26. Meios, recursos.
poderessubstantivo masculino plural

27. Procuração, mandato.

a poder de • À força de.

pátrio poder • [Direito]   • [Direito]   O mesmo que poder paternal .

poder de compra • Capacidade financeira de aquisição de bens e serviços.

poder espiritual • Autoridade eclesiástica.

poder executivo • Autoridade do Estado, responsável pela execução de leis e afins, pelo Governo e pela administração dos negócios do Estado.

poder moderador • Atribuições do chefe de um Estado constitucional.

poder paternal • [Direito]   • [Direito]   Conjunto de direitos e obrigações dos pais em relação aos filhos menores .

poder radiante • Faculdade que têm os corpos mais quentes que o meio ambiente de emitir calor por meio de radiação.

poder temporal • Autoridade civil; soberania política; braço secular.


verbo transitivo direto e intransitivo Possuir a capacidade ou a oportunidade de: podemos fazer o trabalho; mais pode o tempo que a pressa.
verbo transitivo direto, transitivo indireto e intransitivo Ter habilidade (física, moral ou intelectual) de; exercer influência sobre: ele pode nadar muitos quilômetros; o diretor pensa que pode.
verbo transitivo direto Ser autorizado para; ter permissão para: os adolescentes não podem beber.
Possuir o necessário para: eles podiam trabalhar.
Estar sujeito a: naquele temporal, o atleta pode se machucar.
Ter possibilidade(s) para alcançar (alguma coisa); conseguir: com a queda do adversário, o oponente pôde ganhar.
Demonstrar calma e paciência para: ele está sempre agitado, não se pode acalmar nunca?
Possuir excesso de vigor para: eles puderam vencer os obstáculos.
Estar autorizado moralmente para; ter um pretexto ou justificação para: tendo em conta seu excesso de conhecimento, podia conseguir o emprego.
Possuir características necessárias para aguentar (alguma coisa): nunca pôde ver acidentes.
Possuir a chance ou a vontade de: não puderam entrevistar o presidente.
Demonstrar controle acerca de: o professor não pode com os alunos desobedientes.
substantivo masculino Autorização ou capacidade de resolver; autoridade.
Ação de governar um país, uma nação, uma sociedade etc.: poder déspota.
Esse tipo de poder caracterizado por seus efeitos: poder presidencial.
Capacidade de realizar certas coisas; faculdade: nunca teve o poder de fazer amigos.
Superioridade absoluta utilizada com o propósito de chefiar, governar ou administrar, através do uso de influência ou de obediência.
Ação de possuir (alguma coisa); posse.
Atributo ou habilidade de que alguma coisa consiga realizar certo resultado; eficácia: o poder nutritivo do espinafre é excelente.
Característica ou particularidade da pessoa que se demonstra capaz de; perícia: o palestrante tinha o poder de encantar o público.
Excesso de alguma coisa; abundância: um poder de tiros que se alastrou pelo bairro.
Força, energia, vitalidade e potência.
Etimologia (origem da palavra poder). Do latim possum.potes.potùi.posse/potēre.


Poder (do latim potere) é a capacidade de deliberar arbitrariamente, agir, mandar e também, dependendo do contexto, a faculdade de exercer a autoridade, a soberania, o império. Poder tem também uma relação direta com capacidade de se realizar algo, aquilo que se “pode” ou que se tem o “poder” de realizar ou fazer.
Desde os primórdios da humanidade as relações entre indivíduos/grupos se deram visando o poder, o monopólio, seja ele económico, militar ou qualquer outro. Uma relação de poder pode se formar por exemplo, no momento em que alguém deseja algo que depende da vontade de outra pessoa. Esse desejo estabelece uma relação de dependência de indivíduos ou grupos em relação a outros. Quanto maior a dependência de A em relação a B, maior o poder de B em relação a A.


bookmark_borderO que é consumismo

consumismo | s. m.
con·su·mis·mo
(consumo + -ismo )
nome masculino

Hábito ou acção de consumir muito, em geral sem necessidade.


substantivo masculino Ato, efeito ou prática de consumir, de comprar em excesso.
Paixão por comprar; tendência para comprar desenfreada e excessivamente.
Sistema que se baseia ou é definido pela aquisição de bens de consumo.
[Economia] Teoria econômica de acordo com a qual o consumo excessivo favorece a economia.
Etimologia (origem da palavra consumismo). Consumo + ismo.


O consumismo é um estilo de vida orientado por uma crescente propensão ao consumo de bens ou serviços, em geral supérfluos, em razão do seu significado simbólico (prazer, sucesso, felicidade), frequentemente atribuído pelos meios de comunicação social. O termo é muitas vezes associado à crítica do sociólogo e economista Thorstein Veblen, à cultura de massa e à indústria cultural.
O conceito mais antigo de “consumo conspícuo” tem origem na virada do século XX nos escritos de Veblen. O termo descreve uma forma aparentemente racional e confusa de comportamento econômico. Segundo Veblen, esse consumo desnecessário é uma forma de exibição do status, muitas vezes às custas das privações. A expressão “consumo conspícuo”, que descrevia o consumismo observado nos Estados Unidos no pós-guerra, generalizou-se na década de 1960, mas logo foi ligada ao debate sobre a cultura de massa e ao culture jamming.


bookmark_borderO que é positivismo

positivismo | s. m.
po·si·ti·vis·mo
(positivo + -ismo )
nome masculino

1. Sistema filosófico que, banindo a metafísica e o sobrenatural, se funda na consideração do que é material e evidente.

2. Tendência a encarar a vida unicamente pelo lado prático.


substantivo masculino Condição ou característica de positivo; de essência segura; que não se desfaz com facilidade; definitivo.
[Filosofia] Doutrina filosófica que, criada por Auguste Comte (1798-1857), sugere fazer das ciências experimentais o padrão ou modelo por excelência do conhecimento humano, substituindo com isso as teorias metafísicas ou teológicas; comtismo ou filosofia positiva.
[Por Extensão] Filosofia. Cada uma das doutrinas que se baseiam no comtismo (sec.XIX e XX), definidas pela utilização de uma metodologia quantitativa, pelo cientificismo e pela hostilidade ao idealismo.
Etimologia (origem da palavra positivismo). Positivo + ismo/ pelo francês positivisme.


O positivismo é uma corrente filosófica que surgiu na França no começo do século XIX. Os principais idealizadores do positivismo foram os pensadores Auguste Comte e John Stuart Mill. Esta escola filosófica ganhou força na Europa na segunda metade do século XIX e começo do XX. É um conceito que possui distintos significados, englobando tanto perspectivas filosóficas e científicas do século XIX quanto outras do século XX.Desde o seu início, com Auguste Comte (1798-1857) na primeira metade do século XIX, até o presente século XXI, o sentido da palavra mudou radicalmente, incorporando diferentes sentidos, muitos deles opostos ou contraditórios entre si. Nesse sentido, há correntes de outras disciplinas que se consideram “positivistas” sem guardar nenhuma relação com a obra de Comte. Exemplos paradigmáticos disso são o positivismo jurídico, do austríaco Hans Kelsen, e o positivismo lógico (ou Círculo de Viena), de Rudolf Carnap, Otto Neurath e seus associados.
Para Comte, o positivismo é uma doutrina filosófica, sociológica e política. Surgiu como desenvolvimento sociológico do iluminismo, das crises social e moral do fim da Idade Média e do nascimento da sociedade industrial – processos que tiveram como grande marco a Revolução Francesa (1789-1799). Em linhas gerais, ele propõe à existência humana valores completamente humanos, afastando radicalmente a teologia e a metafísica (embora incorporando-as em uma filosofia da história). Assim, o positivismo associa uma interpretação das ciências e uma classificação do conhecimento a uma ética humana radical, desenvolvida na segunda fase da carreira de Comte. O positivismo defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. De acordo com os positivistas somente pode-se afirmar que uma teoria é correta se ela foi comprovada através de métodos científicos válidos. Os positivistas não consideram os conhecimentos ligados a crenças, superstição ou qualquer outro que não possa ser comprovado cientificamente. Para eles, o progresso da humanidade depende exclusivamente dos avanços científicos.


bookmark_borderO que é agrarianismo

agrarianismo | s. m.
a·gra·ri·a·nis·mo
nome masculino

Sistema daqueles que preconizam a divisão das terras.


substantivo masculino Sistema que preconiza a divisão das terras entre os agricultores; agrarismo.
Etimologia (origem da palavra agrarianismo). Agrariano + ismo.


Agrarianismo tem dois significados comuns: o primeiro significado se refere a um filosofia social ou filosofia política que valoriza a sociedade rural como sendo superior à sociedade urbana.


bookmark_borderO que é distopia

distopia | s. f. distopia | s. f.
dis·to·pi·a 1
(dis- + -topia )
substantivo feminino

[Patologia]   [Patologia]   Localização anormal de um órgão. = ECTOPIA ≠ EUTOPIA
dis·to·pi·a dis·to·pi·a 2
(inglês dystopia )
substantivo feminino

Ideia ou descrição de um país ou de uma sociedade imaginários em que tudo está organizado de uma forma opressiva, assustadora ou totalitária, por oposição à utopia.


substantivo feminino Lugar hipotético onde se vive sob sistemas opressores, autoritários, de privação, perda ou desespero; antiutopia.
Demonstração hipotética de uma sociedade futura, definida por circunstâncias de vida intoleráveis, que busca analisar de maneira crítica as características da sociedade atual, além de ridicularizar utopias, chamando atenção para seus males.
[Literatura] Obra literária que descreve uma sociedade hipotética e autoritária.
Etimologia (origem da palavra distopia). Do grego dys + topos + ia.
substantivo feminino [Medicina] Localização ou posição anormal de um órgão; ectopia.
Etimologia (origem da palavra distopia). Dis + topia.


Distopia ou antiutopia é qualquer representação ou descrição, organizacional ou social, cujo valor representa a antítese da utopia ou promove a vivência em uma “utopia negativa”. O termo também se refere a um lugar, época ou estado imaginário em que se vive sob condições de extrema opressão, desespero ou privação. As distopias são geralmente caracterizadas por totalitarismo ou autoritarismo (controle opressivo de toda uma sociedade), por anarquia (desagregação social), ou por condições econômicas, populacionais ou ambientais degradadas ou levadas a um extremo ou outro. A tecnologia se insere nesse contexto como ferramenta de controle, por parte do estado ou de instituições ou corporações, ou ainda, como ferramenta de opressão, por ter escapado ao controle humano.Distopias são frequentemente criadas como avisos ou como sátiras, mostrando as atuais convenções sociais e limites extrapolados ao máximo. Uma distopia está intimamente conectada à sociedade atual. Nesse aspecto, distopias diferem fundamentalmente das utopias, que são sistemas sociais idealizados e sem raízes na sociedade atual, figurando em outra época ou tempo ou após uma grande descontinuidade histórica. Um número considerável de histórias do subgênero cyberpunk de ficção científica, ambientadas num futuro mais ou menos próximo, usam padrões distópicos em que uma empresa de alta tecnologia domina um mundo em que os estados nacionais se tornaram fracos.
Na literatura, famosas distopias foram concebidas por George Orwell (1903-1950) e Aldous Huxley (1894-1963).