bookmark_borderO que é meio-termo

meio-termo | s. m.
mei·o·-ter·mo |ê| mei·o·-ter·mo |ê|
nome masculino

1. Termo que se encontra a igual distância de dois extremos.

2. [Figurado]   [Figurado]   Solução ou decisão que estabelece equilíbrio entre posições divergentes.

3. [Figurado]   [Figurado]   Comedimento, eclectismo , moderação.Plural: meios-termos. Plural: meios-termos.



Na lógica, um meio-termo é um termo que aparece (como um sujeito ou o predicado de uma proposição categórica) em ambos os locais , mas não na conclusão de um silogismo categórico. O termo médio (em negrito abaixo) deve ser distribuída em pelo menos uma premissa, mas não na conclusão. O termo principal e os termos menores, também chamados de termos finais, aparecem na conclusão.
Exemplo:

Premissa maior: Todos os homens são mortais.
Premissa menor: Sócrates é um homem.
Conclusão: Sócrates é mortal.


bookmark_borderO que é refutação

refutação | s. f. derivação fem. sing. de refutar
re·fu·ta·ção
nome feminino

1. Discurso com o qual se prova a não razão de outro.

2. [Retórica]   [Retórica]   Discurso com que se responde a objecções .
re·fu·tar re·fu·tar – Conjugar
(latim refuto, -are, repelir, reprimir, conter, refutar, desmentir )
verbo transitivo

1. Destruir com razões de peso o que outrem estabeleceu.

2. Rebater, destruir.

3. Não estar de acordo com. = CONTESTAR, NEGAR


substantivo feminino Contestação dos argumentos adversários, destruindo o que foi afirmado.
Réplica; o que se utiliza para contestar ou refutar as alegações contrárias.
[Retórica] Parte do discurso que se destina a contestação de argumentos.
Ação ou efeito de refutar, de negar, de rejeitar.
Etimologia (origem da palavra refutação). Do latim refutatio.onis.


Em lógica informal, uma refutação ou objeção, é uma razão que vai contra uma premissa, lema ou conclusão. A refutação de uma refutação é conhecida como retribuição.


bookmark_borderO que é recíproca

recíproca | s. f. fem. sing. de recíproco Será que queria dizer reciproca?
re·cí·pro·ca
substantivo feminino

1. Reciprocidade.

2. [Matemática]   [Matemática]   O inverso.
re·cí·pro·co re·cí·pro·co
(latim reciprocus, -a, -um )
adjectivo adjetivo

1. Que se dá ou faz em recompensa de coisa equivalente. = MÚTUO

2. [Gramática]   [Gramática]   Diz-se do verbo pronominal que indica acção que mutuamente recai nos sujeitos.

3. [Matemática]   [Matemática]   Diz-se de uma transformação tal que se b for a transformada do elemento a, esta será a transformada de b.


substantivo feminino Condição do que é mútuo, do que se realiza ao mesmo tempo que outra coisa; reciprocidade: ele a ama, mas a recíproca nunca foi verdadeira.
Ponto de vista, opinião ou ação, oposto.
[Lógica] Cada uma de duas proposições hipotéticas em que o antecedente da primeira é necessariamente o consequente da segunda, e vice-versa.
Etimologia (origem da palavra recíproca). Feminino de recíproco.


A recíproca é uma relação de implicação.
Tendo-se duas proposições, A e B, há duas implicações que podem ser formadas usando estas propostas:

A

B

{\displaystyle A\Rightarrow B}
(se A então B)

B

A

{\displaystyle B\Rightarrow A}
(se B então A)Por exemplo: A recíproca de “Se ele ganhou na loteria, então ele tem muito dinheiro” é “Se ele tem muito dinheiro, então ele ganhou na loteria”.
Essas implicações são recíprocas uma da outra, a primeira é a recíproca da segunda, e a segunda é a recíproca da primeira.
Se a proposição (se A então B) e sua recíproca (se B então A) forem verdadeiras, pode-se afirmar “se e somente se A então B”, pois vale “se A então B” e vale a recíproca, que diz que é impossível valer B sem valer A.
Outros exemplos são:

Todos os papas são santos e todos os santos são papas.
Nenhum romano é filósofo e nenhum filósofo é romano.Note que a recíproca de uma afirmação verdadeira pode ser falsa, como no primeiro exemplo – Isto é, a afirmação e sua recíproca não são equivalentes.
Um outro exemplo é a recíproca do teorema de Pitágoras (que é verdadeira): “para qualquer triângulo com lados l, m, e r, se l² + m² = r², então o ângulo entre l e m mede 90°”.


bookmark_borderO que é senso comum

substantivo masculino Conjunto de ideias e opiniões que é aceito pela maioria das pessoas de um grupo ou sociedade, geralmente imposto e desprovido de valor crítico; consenso, senso habitual: comentários de senso comum.
Etimologia (origem de senso comum). Senso “juízo” + comum.


Senso comum ou conhecimento vulgar é a compreensão do mundo resultante da herança fecunda baseada nas experiências acumuladas por um grupo social. O senso comum descreve as crenças e proposições que aparecem como “normais”, sem depender de uma investigação detalhada para se alcançar verdades mais profundas, como as científicas.O senso comum é a forma de conhecimento mais presente no dia a dia das pessoas que não se preocupam prioritariamente com questões científicas. É uma forma de pensamento superficial, ou seja, não está preocupado com causas e fundamentos primeiro de algo, apenas faz afirmações, irrefletidas, imediatas. Isso não quer dizer que não haja conhecimento científico entre essas pessoas ou que não haja senso comum no âmbito científico.
Bastante atrelado à cultura, o senso comum é cultivado de geração em geração.


bookmark_borderO que é inferência

inferência | s. f.
in·fe·rên·ci·a
(inferir + -ência )
substantivo feminino

1. Acto ou efeito de inferir.

2. Dedução, conclusão.


substantivo feminino Raciocínio concluído ou desenvolvido a partir de indícios: a dedução é um tipo de inferência.
Processo intelectual segundo o qual é possível chegar a uma conclusão a partir de premissas.
Raciocínio através do qual uma proposição é considerada verdadeira pela sua ligação com outras já tidas como verdadeiras; a proposição que se assume como sendo verdadeira.
Etimologia (origem da palavra inferência). Do latim interentia.ae.


Em Lógica, inferência ou ilação é operação intelectual mediante a qual se afirma a verdade de uma proposição em decorrência de sua ligação com outras proposições já reconhecidas como verdadeiras. Consiste, portanto, em derivar conclusões a partir de premissas conhecidas ou decididamente verdadeiras. A conclusão também é chamada de idiomática.


bookmark_borderO que é sofisma

sofisma | s. m. 3ª pess. sing. pres. ind. de sofismar 2ª pess. sing. imp. de sofismar
so·fis·ma
nome masculino

1. Argumento capcioso com que se pretende enganar ou fazer calar o adversário.

2. [Popular]   [Popular]   Engano; logro.
so·fis·mar so·fis·mar – Conjugar
(sofismar + -ar )
verbo transitivo e intransitivo

1. Torcer (argumento ou questão).

2. Dar aparências de verdade a (asserção que se sabe ser falsa).

3. [Figurado, Popular]   [Figurado, Popular]   Lograr, iludir.verbo intransitivo

4. Usar sofismas; raciocinar por sofismas.

Sinónimo Sinônimo Geral: SOFISTICAR


substantivo masculino Argumento ardiloso, aparentemente correto, que pretende induzir o erro, enganar ou silenciar o oponente; paralogismo.
[Por Extensão] Todo discurso tendencioso cuja intenção reside na ideia do erro, proposto ardilosamente por quem o exprime.
[Informal] Ação realizada com a intenção de ludibriar, enganar; mentira.
[Lógica] Premissa ou argumentação cujo propósito se estabelece na intenção de produzir uma ilusão da verdade, apresentando uma estrutura lógica mas, além disso, relações incorretas e propositalmente falsas.
[Lógica] Discussão argumentativa que supostamente demonstra a verdade, contudo possui em sua essência características ilógicas.
Etimologia (origem da palavra sofisma). Do grego sophisma.


Sofisma ou sofismo (do grego antigo σόϕισμα -ατος, derivado de σοϕίξεσϑαι “fazer raciocínios capciosos”) em filosofia, é um raciocínio ou falácia se chama a uma refutação aparente, refutação sofística e também a um silogismo aparente, ou silogismo sofístico, mediante os quais se quer defender algo falso e confundir o contraditor. Não devemos confundir os sofismas com os paralogismos: os primeiros procedem da má fé, os segundos, da ignorância.


bookmark_borderO que é contingência

contingência | s. f.
con·tin·gên·ci·a
(latim contingentia, -ae, plural neutro de contingens, -entis, particípio presente de contingo, -ere, tocar, atingir, chegar a, ser vizinho de, encontrar, achar, acontecer )
nome feminino

1. Qualidade de contingente.

2. Facto possível, mas incerto. = EVENTUALIDADE

3. Possibilidade de algo acontecer (ex.: o ministério tem um plano de contingência para temperaturas extremas adversas).


substantivo feminino Qualidade de contingente; possibilidade de que algo se realize ou não.
Ação ou situação imprevista, que não se consegue controlar nem prever; eventualidade, casualidade.
[Filosofia] Natureza do que acontece de modo eventual, incidental ou desnecessário, podendo ter ocorrido de outra forma ou não se ter efetivado.
Etimologia (origem da palavra contingência). Do latim contingentia.ae, “acaso”.


Em filosofia e lógica, contingência é o modo de ser daquilo que não é necessário, nem impossível – mas que pode ser ou não. Em outros termos, é a característica atribuída ao ente cuja existência é tida como não necessária mas, ao mesmo tempo, não impossível – isto é, a sua realidade não pode ser demonstrada nem negada em termos definitivos. Diz-se que são contingentes as proposições que não são necessariamente verdadeiras nem necessariamente falsas.
Há quatro classes de proposições, algumas das quais se sobrepõem:

proposições necessariamente verdadeiras ou Tautologias, que devem ser verdadeiras, não importa quais são ou poderiam ser as circunstâncias. Geralmente o que se entende por “proposição necessária” é a proposição necessariamente verdadeira:2 + 2 = 4
Nenhum solteiro é casadoproposições necessariamente falsas ou Contradições, que devem ser falsas, não importa quais são ou poderiam ser as circunstâncias:2 + 2 = 5
Ana é mais alta e é mais baixa que Betoproposições contingentes, que não são necessariamente verdadeiras nem necessariamente falsas:Há apenas três planetas
Há mais que três planetasproposições possíveis, que são verdadeiras ou poderiam ter sido verdadeiras sob certas circunstâncias:2 + 2 = 4
Há apenas três planetas
Há mais que três planetasTodas as proposições necessariamente verdadeiras e todas as proposições contingentes também são proposições possíveis.


bookmark_borderO que é axioma

axioma | s. m.
a·xi·o·ma |acsi| a·xi·o·ma |acsi|
(latim axioma, -atis, do grego axíoma, -atos )
substantivo masculino

Proposição tão evidente que não precisa ser demonstrada.


substantivo masculino Evidência cuja comprovação é dispensável por ser óbvia; princípio evidente por si mesmo.
Expressão que contém um sentido moral ou geral; provérbio, máxima ou sentença.
[Matemática] Noção comum; afirmação geral aceita sem discussão: “a parte é menor que o todo” é um exemplo de axioma.
[Gramática] Representação inicial das regras sintagmáticas; estrutura correta sem explicação comprovada.
Etimologia (origem da palavra axioma). Do latim axioma.atis.


Na lógica tradicional, um axioma ou postulado é uma sentença ou proposição que não é provada ou demonstrada e é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação de uma teoria. Por essa razão, é aceito como verdade e serve como ponto inicial para dedução de outras verdades (dependentes de teoria).
Na matemática, um axioma é uma hipótese inicial de qual outros enunciados são logicamente derivados. Pode ser uma sentença, uma proposição, um enunciado ou uma regra que permite a construção de um sistema formal. Diferentemente de teoremas, axiomas não podem ser derivados por princípios de dedução e nem são demonstráveis por derivações formais, simplesmente porque eles são hipóteses iniciais. Isto é, não há mais nada a partir do que eles seguem lógicamente (em caso contrário eles seriam chamados teoremas). Em muitos contextos, “axioma”, “postulado” e “hipótese” são usados como sinônimos.
Como foi visto na definição, um axioma não é necessariamente uma verdade autoevidente, mas apenas uma expressão lógica formal usada em uma dedução, visando obter resultados mais facilmente. Axiomatizar um sistema é mostrar que suas inferências podem ser derivadas a partir de um pequeno e bem definido conjunto de sentenças. Isto não significa que elas possam ser conhecidas independentemente, e tipicamente existem múltiplos meios para axiomatizar um dado sistema (como a aritmética). A matemática distingue dois tipos de axiomas: axiomas lógicos e axiomas não-lógicos.
Nas teorias das ciências naturais, um axioma é considerado uma verdade evidente que e é aceita como tal mas que ao rigor da palavra não pode ser demonstrado ou provado uma verdade absoluta dentro do domínio de sua aplicação; é geralmente derivado de intuição ou de conhecimento empírico, os quais apoiam-se em todos os fatos científicos até então conhecidos e relevantes à área em estudo. A viabilidade ou utilidade de tais teorias, e a classificação das mesmas como teorias científicas válidas ou já aprimoradas, todas sempre logicamente derivadas de forma correta de suas premissas (dos axiomas), dependem das escolhas acuradas de seus axiomas e da corroboração dos mesmos frente aos fatos científicos conhecidos na época em que foram propostos, e frente aos que forem gradualmente descobertos em épocas futuras às suas proposições. Fatos novos, ao serem descobertos, podem levar à evolução das teorias mediante necessidade explicita de modificações em seus axiomas, que, conforme propostos no paradigma científico evoluído e ora válido, devem manter-se sempre corroborados pela íntegra dos fatos científicos conhecidos até a data em questão.
Na engenharia, axiomas são aceitos sem provas formais e suas escolhas são negociadas a partir do ponto de vista utilitário e econômico. Podem também ser considerados como hipóteses na modelagem e mudados depois da validação do modelo.
Declarações explícitas de axiomas é uma condição necessária para a computabilidade de uma teoria, modelo ou método. Neste caso, o axioma pode ser visto como um conceito relativo dependente de domínio, por exemplo, em cada programa de software, declarações iniciais podem ser consideradas como seus axiomas locais.


bookmark_borderO que é certeza

certeza | s. f.
cer·te·za |ê| cer·te·za |ê|
(certo + -eza )
substantivo feminino

1. Qualidade do que é certo. ≠ INCERTEZA

2. Coisa certa.

3. Adesão absoluta e voluntária do espírito a um facto , a uma opinião.

4. Ausência de dúvida. = CONVICÇÃO

5. Estabilidade.

6. Habilidade ou firmeza em trabalhos manuais.

com certeza • Sem dúvida; de certeza (ex.: o resultado final será, com certeza, muito apreciado). = CERTAMENTE

• Talvez (ex.: ele não apareceu; com certeza anda cheio de trabalho).

de certeza • Sem qualquer dúvida, de maneira certa (ex.: eles vão gostar disso, de certeza).
Ver também dúvida linguística: com certeza.


substantivo feminino Segurança plena, total; convicção: tenho a certeza de que ele vencerá.
Conhecimento certo, total e absoluto: o juiz tinha certeza de sua culpa.
Ausência de inconstâncias; estabilidade: não tenho certeza do meu futuro.
Aquilo sobre o qual não há dúvida: tenho certeza desse resultado.
Caráter do que é certo; evidente: uma certeza matemática.
[Filosofia] Convicção que o espírito tem de que os objetos são do modo como ele os percebe.
locução adverbial Com certeza. De maneira evidente; certamente: vou lá com certeza!
Etimologia (origem da palavra certeza). Certo + eza.


Um argumento é uma certeza se, e somente se, a hipótese das premissas do argumento se tornou uma verdade, depois da conclusão provada. Veja este exemplo:

Sem olhar, Laurêncio tirou 100 bolinhas de um saco de 100. Das bolinhas que Laurêncio tirou, 100 eram vermelhas.
Laurêncio colocou todas as bolinhas de volta no saco.
Portanto, a próxima bola que Laurêncio puxar para fora da bolsa será vermelha.A premissa da hipótese tornou-se, realmente, uma conclusão provada. Portanto, esse argumento é uma certeza.
Veja no verbete convicção as diferenças entre este termo e a certeza.


bookmark_borderO que é escopo

escopo | s. m.
es·co·po |ô| es·co·po |ô|
(latim scopus, -i, do grego skopós, -oú, observador, espião, vigilante )
substantivo masculino

1. Local bem determinado a que se aponta para atingir. = ALVO, MIRA

2. Objectivo que se pretende atingir. = DESÍGNIO, FIM, INTUITO, PROPÓSITO

3. Limite ou abrangência de uma operação (ex.: ainda não definiram o escopo da campanha).Plural: escopos |ô|. Plural: escopos |ô|.Confrontar: escopro.


substantivo masculino Ponto que se deseja alcançar; alvo: o escopo da proposta era erradicar a fome.
Aquilo que se tem por finalidade; propósito.
Somatória de tudo que se pode referir a um projeto; descrição detalhada de um projeto, de seus propósitos: escopo de projeto.
Delimitação das atividades: traçou o escopo de sua profissão.
Extensão irrestrita ou ocasião favorável ao pensamento, à ação: descrever uma ciência é expressar seu real escopo.
[Gramática] Elemento gramatical através do qual se interpreta o predicado.
Etimologia (origem da palavra escopo). Do grego skopós.oû; pelo latim scopus.i.


O escopo, no âmbito da gestão de projetos, designa a especificação do limite dentro do qual os recursos de sistema podem ser utilizados, ou seja, o seu propósito.No âmbito da Matemática, o escopo de um operador pode ser explicado através de alguns exemplos.
Na aritmética, quando adicionamos uma lista de números; por exemplo:

2
+
4
+
5

{\displaystyle 2+4+5}
, a ordem da adição não faz diferença para o resultado (se primeiro adicionamos 2 e 4 , ou se primeiro adicionamos 4 e 5). Todavia, quando outra operação está envolvida, a ordem faz diferença. P.ex., faz diferença para o resultado de

2
+
4
×
5

{\displaystyle 2+4\times 5}
, se primeiro adicionamos 2 e 4, e depois multiplicamos o resultado por 5, ou se primeiro multiplicamos 4 e 5, e depois adicionamos 2. Assim,

2
+
4
×
5

{\displaystyle 2+4\times 5}
é ambígua entre

2
+
(
4
×
5
)

{\displaystyle 2+(4\times 5)}
e

(
2
+
4
)
×
5

{\displaystyle (2+4)\times 5}
, ambigüidade que pode ser facilmente evitada, como fica claro, usando parênteses.
Procede-se da mesma maneira em lógica, tal como no chamado cálculo proposicional. Por exemplo, em notação quase-formal, distinguimos ((P ou Q) e R), de (P ou (Q e R)) — onde P , Q e R são variáveis proposicionais, e ou e e têm a força lógica da disjunção e da conjunção. O recurso aos parênteses, nesse caso, também evita ambiguidades, de modo que uma fórmula complexa possa ser decomposta de uma única maneira em seus átomos, e pela atribuição de um valor de verdade aos átomos resulte um único valor de verdade para a fórmula complexa.
Fálacias de escopo podem ser geradas, também, quando estão envolvidos operadores do cálculo de predicados, ou seja os quantificadores existenciais e universais, em particular, no que se chama “generalidade múltipla”. Por exemplo:

(1) Todo garoto ama uma garota.Essa frase admite pelo menos duas leituras, conforme consideremos como amplo ou como restrito os escopos dos quantificadores universal (representado por “todo”) e existencial (representado por “uma”).
Talvez os casos mais interessantes para o exame da noção de escopo sejam aqueles envolvendo a interação entre operadores chamados extensionais (como os do cálculo proposicional e do cálculo de predicados) e operadores chamados intensionais ou hiperintensionais (como os das váriaveis lógicas modais e epistêmicas). Por exemplo:

(2) Todos os números pares são necessariamente múltiplos de 2.em que interagem o quantificador universal e o operador modal (representado por “necessariamente”). Willar Quine objetou a certas interações entre operadores modais e extensionais por nos comprometerem com alguma forma de essencialismo.
Um dos mais famosos tratamentos dado à noção de escopo — e que nortearia uma parte do debate em torno das relações entre referência e modalidade — é o de Bertrand Russell, em sua teoria das descrições definidas. Russell distingue a ocorrência primária de uma descrição da ocorrência secundária (ou n-ária) da mesma ou de outra descrição — o que nada mais é também do que uma distinção de escopo –, relativamente aos escopos de outros operadores. Por exemplo:

(3) George IV crê que Scott é o autor de Waverley.admitiria, segundo Russell, duas interpretações, conforme a descrição definida “o autor de Waverley” tenha uma ocorrência primária, a saber,

(3.1) Existe pelo menos um x, existe no máximo um x, e x escreveu Waverley, e George IV crê que Scott=x.ou conforme a descrição definida tenha uma ocorrência secundária, a saber,

(3.2) George IV crê que existe pelo menos um x, que existe no máximo um x, e que x escreveu Waverley.A análise de (3) procede de acordo com as regras que Russell fornece informalmente em “On Denoting” (1905) e formalmente em Principia Mathematica (1910-13).
Numa terminologia que também pode ser usada para capturar as distinções propostas por Russell, diz-se que em (3.2) a atitude proposicional crer é de dicto, i.e., que George IV crê numa proposição (dictum), nesse caso, numa proposição geral; e que em (3.1) temos uma atitude de re, a crença de George IV numa coisa (res) (cf. crença). Uma questão adicional envolvida é saber de que entidade essa atitude é de re — se é que é de alguma entidade.