bookmark_borderO que é ditirambo

ditirambo | s. m.
di·ti·ram·bo
(latim dithyrambus,-i )
nome masculino

1. Canto em honra de Dioniso ou de Baco.

2. Poesia em que se celebra o vinho.

3. Qualquer poesia exprimindo entusiasmo ou delírio.


substantivo masculino Poesia lírica que exprime entusiasmo ou delírio.
[Figurado] Louvor exagerado.
[Antigo] Hino em honra de Baco.


Nas origens do teatro grego, o ditirambo (do grego dithýrambos, pelo latim dithyrambu) era um canto coral de caráter apaixonado (alegre ou sombrio), constituído de uma parte narrativa, recitada pelo cantor principal, ou corifeu, e de outra propriamente coral, executada por personagens vestidos de faunos e sátiros, considerados companheiros do deus Dionísio, em honra do qual se prestava essa homenagem ritualística .
Ditirambo (“hino em uníssono”), consistia numa ode entusiástica e exuberante dirigida ao deus, dançada e representada por um Coro de 50 homens (cinco por cada uma das tribos da Ática) vestidos de sátiro (meio homem, meio bode, uma espécie de servo de Dionísio).
Os “sátiros” tocavam tambores, liras e flautas e iam cantando à medida que dançavam em volta de uma esfinge de Dionísio. Há quem diga que usavam falos postiços. Mas apesar do que se possa pensar, esta cerimónia era totalmente religiosa, uma espécie de hino no meio de uma missa. Também se acredita que haveria o sacrifício de um animal, provavelmente de um bode. (A ideia do sacrifício é conotativa pois representa a mudança humana de consciência animal, por assim dizer, para um nível de consciência mais elevado, realmente “humano” no sentido real da palavra. Isso explica-se pela simbologia da estrela de cinco pontas (pentagrama), que de cabeça para baixo faz alusão a ideia de um bode (dois cifres, orelhas e barba), e no sentido convencional a alusão a figura humana como mostrada por Da Vinci.
À medida que o tempo ia passando, o Ditirambo foi evoluindo para a ficção, para o drama, para a forma teatral, como a conhecemos hoje. Quem dirigia o ditirambo ia juntando gradualmente relatos de façanhas de heróis que tinham passado grandes tormentos pelo seu Povo. Também as danças que no início seriam descontroladas e caóticas iam gradualmente passando a danças organizadas e elaboradas. Também se começa gradualmente a introduzir poesia no ditirambo.
O filósofo alemão Friedrich Nietzsche utiliza esse estilo em seu livro Assim falou Zaratustra.


bookmark_borderO que é tropo

tropo | s. m. tropo | adj.
tro·po |ô| ou |ó| tro·po |ó| 1
(grego trópos, -ou, direcção )
nome masculino

1. [Retórica]   [Retórica]   Emprego de uma palavra ou expressão em sentido figurado. = FIGURA

2. [Filosofia]   [Filosofia]   Cada um dos vários argumentos com que os filósofos cépticos gregos da Antiguidade pretendiam provar a impossibilidade de alcançar a verdade. (Mais usado no plural.)

3. [Música]   [Música]   Na Grécia Antiga, determinação da altura absoluta na escala musical.

4. [Música]   [Música]   Processo de ampliação usado no canto gregoriano, com intercalações de partes com melodia e texto.

5. [Teatro]   [Teatro]   Pequeno diálogo ou recitativo incluído na liturgia da missa, que foi umas das primeiras manifestações teatrais medievais.Plural: tropos |ô|. Plural: tropos |ô|.
tro·po |ô| tro·po |ô| 2
(redução de trôpego )
adjectivo adjetivo

[Informal]   [Informal]   Que sente dificuldade em movimentar-se ou a mover algum membro. = TRÔPEGOPlural: tropos |ô|. Plural: tropos |ô|.


substantivo masculino [Retórica] Emprego de uma palavra no sentido figurado, atribuindo-lhe uma significação não literal nem habitual, geralmente transferindo o sentido de uma palavra para outra: a metáfora é um tipo de tropo.
[Gramática] Figura de linguagem em que se emprega uma palavra com um sentido diferente do habitual.
[Teatro] Diálogo breve que, fazendo parte da liturgia de uma missa, pode ser definido como umas das primeiras manifestações do teatro na Idade Média.
[Filosofia] Premissas gregas de natureza cética, incrédula, descrente, que visam provar ser impossível e inútil a busca pela verdade (mais usado no plural: tropos).
[Música] Na Grécia antiga, determinação da altura absoluta de uma escala musical; tom.
[Música] No canto gregoriano, ato de intercalar partes com melodia e textos ditos melodicamente.
Etimologia (origem da palavra tropo). Do grego trópos, “volta” + do latim tropu.


Um tropo (do grego τρόπος, transl. trópos, ‘direção’, ‘giro’, do verbo trépo, “girar”), é uma figura de linguagem ou da retórica onde ocorre uma mudança de significado, seja interna (em nível do pensamento) ou externa (em nível da palavra). No primeiro caso e quando ocorre apenas uma associação de ideias, dá-se o nome de perífrase; se a associação de ideias é de caráter comparativo, produz-se uma metáfora, que é o tropo por excelência. A palavra também é usada para definir clichês em obras de ficção.A retórica clássica, segundo Lausberg, somente classifica como tropos a sinédoque, a antonomásia, a ênfase, a lítotes (“atenuação”), a hipérbole, a metonímia, a metáfora, a perífrase, a ironia e a metalepse (um tipo raro de metonímia).
Na música da Grécia Antiga, indicava a altura baseada na oitava média das vozes e que dava forma ao elemento principal da estrutura musical. Na música medieval, significava a ampliação do canto litúrgico através da inserção de textos curtos que facilitavam a memorização da música e que deram origem ao drama musical a partir do século IX.


bookmark_borderO que é rapsodo

rapsodo | s. m.
rap·so·do |pssô| ou |pzô| rap·so·do |pssô| ou |pzô|
(grego rapsodós, -ou )
nome masculino

1. Cantor de rapsódias, na Grécia antiga.

2. [Figurado]   [Figurado]   Autor de poesia. = POETA, TROVADOR, VATEPlural: rapsodos |ô|. Plural: rapsodos |ô|.


substantivo masculino [Antiguidade] gr. Poeta popular, ou cantor, que ia de cidade em cidade recitando poemas épicos: Homero era um rapsodo.
[Figurado] Poeta cujo canto parece sintetizar os acentos mais sensíveis a seu povo.
Cantor, poeta; aedo.


Rapsodo (en grego clássico ραψῳδός / rhapsôidós) foi um artista popular ou cantor que, na antiga Grécia, ia de cidade em cidade recitando poemas (principalmente epopeias). E que é meramente um contador de histórias.
É diferente do aedo, que compõe os próprios poemas e os canta, acompanhado de um instrumento (lira ou fórminx). O rapsodo não é acompanhado de qualquer instrumento. Durante a declamação, fica geralmente em pé e segura um ramo de loureiro, símbolo de Apolo. Frequentemente também representa, como no teatro: de facto, as epopeias incluem numerosas passagens em estilo directo. Platão, no seu tratado de poesia Íon, explica a Sócrates a apresentação de uma rapsódia:

«Da cena onde me encontro, observo o meu público: é necessário que o seu choro, o seu olhar espantado, até o seu terror responda às minhas palavras.»Os rapsodos apareceram no século VII a.C. e continuaram a representar até o Helenismo. Levavam uma vida itinerante, indo de cidade em cidade procurando audiência. Pouco a pouco foram sendo organizados concursos de rapsodos, como nas Panateneias. A mais antiga menção de um concurso desses é feita por Heródoto: ele menciona os concursos de Sicyone na época de Clistene. Teria sido por ocasião de um desses concursos que Pisístrato terá passado a escrito as obras de Homero.
O repertório dos rapsodos era em primeiro lugar consagrado a Homero, mas também recitavam poemas de Arquíloco de Paros e ainda de Semonide de Amorgos.