bookmark_borderO que é nada

nada | pron. indef. | s. m. | adv. fem. sing. de nado 3ª pess. sing. pres. ind. de nadar 2ª pess. sing. imp. de nadar
na·da
(latim [res] nata, coisa nascida )
pronome indefinido

1. Usa-se para negar a ausência total de objectos , coisas, ideias , conceitos, etc. (ex.: estava escuro e não vi nada; nada lhe despertou a atenção). = COISA NENHUMA ≠ TUDOnome masculino

2. O que não existe; o não-ser .

3. [Por extensão]   [Por extensão]   Pouca coisa (ex.: a felicidade é feita de pequenos nadas; viu a sua importância ser reduzida a um nada).

4. [Figurado]   [Figurado]   Fragilidade.advérbio

5. Usa-se para enfatizar a negação (ex.: não foi nada fácil convencê-los; – disseste que sim… – não disse nada!). = DE MODO NENHUM

daí a nada • Pouquíssimo tempo depois; daí a breves instantes (ex.: ouvimos passos na escadaria e daí a nada eles entravam na sala).

dali a nada • Pouquíssimo tempo depois; dali a breves instantes (ex.: saíram tarde, mas dali a nada estavam de volta).

daqui a nada • Pouquíssimo tempo depois; daqui a breves instantes (ex.: daqui a nada já lhe ligo).

dar em nada • Perder-se ou não ter qualquer resultado ou efeito prático.

de nada • Que não merece grande atenção; que não tem grande importância (ex.: zangaram-se por uma coisa de nada). = INSIGNIFICANTE, IRRISÓRIO

• Expressão usada como resposta a um agradecimento (ex.: – Obrigado pelo presente. – De nada.). = ORA ESSA

nada de nada • Absolutamente nada.
na·do na·do 2
(latim natus, -a, -um )
adjectivo adjetivo

1. Que já nasceu. = NASCIDO, NATO

2. Que já está no horizonte (ex.: sol nado).
na·do na·do 1
(derivação regressiva de nadar )
nome masculino

1. Acto ou efeito de nadar.

2. O que se pode nadar de uma vez.

3. [Brasil]   [Brasil]   [Desporto]   [Esporte]   Modo de nadar. = ESTILO

a nado • Nadando (ex.: atravessaram o rio a nado; travessia a nado).

em nado • Na água; não em seco.

nado borboleta • [Brasil]   • [Brasil]   • [Desporto]   • [Esporte]   Maneira de nadar em que o nadador está de barriga para baixo e em que os braços se introduzem lateralmente na água, de cima para baixo, desde fora da água. (Equivalente no português de Portugal: estilo de mariposa.) = MARIPOSA

nado crawl • [Brasil]   • [Brasil]   • [Desporto]   • [Esporte]   Maneira de nadar em que o corpo fica virado de barriga para baixo, as pernas batem na água de forma contínua e os braços movimentam-se alternadamente em movimentos rotativos. (Equivalente no português de Portugal: estilo de crol.) = CROL

nado de peito • [Brasil]   • [Brasil]   • [Desporto]   • [Esporte]   Maneira de nadar em que o nadador está de barriga para baixo e faz movimentos circulares de braços e pernas para os lados. (Equivalente no português de Portugal: estilo de bruços.)

nado de costas • [Brasil]   • [Brasil]   • [Desporto]   • [Esporte]   Maneira de nadar em que o corpo fica virado de barriga para cima, que as pernas batem na água de forma contínua e os braços movimentam-se alternadamente em movimentos rotativos. (Equivalente no português de Portugal: estilo de costas.) = COSTAS

nado livre • [Brasil]   • [Brasil]   • [Desporto]   • [Esporte]   Categoria de competição em que o nadador pode nadar em qualquer estilo, sendo normalmente escolhido o estilo de crol . (Equivalente no português de Portugal: estilo livre.)

nado sincronizado • [Brasil]   • [Brasil]   • [Desporto]   • [Esporte]   Disciplina da natação em que o acto de nadar é feito com acompanhamento musical e obedece a coreografia. (Equivalente no português de Portugal: natação sincronizada.)
na·dar na·dar – Conjugar
verbo intransitivo

1. Flutuar e mover-se na água (ajudando-se com os braços e as pernas).

2. Boiar.

3. Estar submerso.

4. [Figurado]   [Figurado]   Engolfar-se.

5. Ter abundantemente o gozo de.


substantivo masculino Coisa nula, sem valor: transformou o nada em arte.
O que não existe; o vazio: depois da morte, o nada.
[Filosofia] Categoria filosófica que representa o não-ser, a ausência de existência: Sartre escreveu “O ser e o nada”.
locução adjetiva De nada; que merece pouca consideração, que inspira pouco ou nenhum temor ou respeito; insignificante: homenzinho de nada.
locução adverbial Antes de mais nada. Em primeiro lugar; antes de tudo.
Por nada. Por um triz; por pouco.
Há nada. Há pouco tempo atrás: há nada, vi-o passar.
locução conjuntiva Nada menos. Contudo, todavia.
expressão De nada; por nada. Não tem de quê; em agradecimento a; obrigado(a).
Nada mau. Melhor do que se esperava; razoável.
Nada bom. Nem um pouco bom; péssimo.
Nada feito. Em vão; inutilmente.
Nada disso! De forma alguma, de jeito nenhum.
Nada de novo. Nenhuma novidade.
Não servir para nada. Ser perfeitamente inútil; não ter serventia.
Não prestar para nada. Não ter préstimo, utilidade ou aplicação.
Não ter nada a ver com. Não estar envolvido em ou com, não ter responsabilidade ou culpa alguma.
Não ser nada (de alguém). Não ser parente ou amigo dessa pessoa.
Vir do nada. Ser de origem humilde.
[Popular] Não ser de nada. Ser um conversa-fiada; não ser capaz ou não ter o hábito de cumprir as ameaças que faz.
Etimologia (origem da palavra nada). Do latim res, nada “coisa nascida”.


Nada é um conceito normalmente usado para descrever a ausência de qualquer coisa ou lugar.


bookmark_borderO que é ente

-ente | suf. ente | s. m.
-ente
(latim -ens, -entis )
sufixo

Indica a noção de agente, qualidade ou estado (ex.: batente, crescente, enchente).
en·te en·te
(latim ens, entis, particípio presente de sum, esse, ser, existir )
substantivo masculino

1. O que existe ou é de forma concreta ou objectiva . = COISA, ENTIDADE, SER, SUBSTÂNCIA

2. Ser humano (ex.: ente familiar; entes queridos). = INDIVÍDUO, PESSOA

3. O que se julga ou crê que existe (ex.: ente imaginário).

ente de razão • Aquilo que existe apenas no pensamento ou na imaginação.

ente supremo • Deus. (Geralmente com iniciais maiúsculas.)


substantivo masculino Algo ou alguém cuja existência é concreta ou suposta; ser ou coisa: ente querido; entes sobrenaturais.
Designação do ser humano; pessoa.
[Por Extensão] Aquilo cuja existência depende a crença de alguém: ente mitológico.
[Filosofia] Tudo que está imerso na realidade circundante; aquilo que tem comprovação ou existe de modo concreto.
Etimologia (origem da palavra ente). Do latim ens.entis.


O particípio presente do verbo grego on, corresponde ao termo latino ens, traduzido por ente, na língua portuguesa. Nas demais línguas neolatinas, como o italiano, a etimologia entre os dois termos foi mantida ao longo dos séculos (italiano: ente e essere), enquanto em outras, como o inglês ou francês, utiliza-se um só verbo para ambas as palavras, o que, nos últimos decênios, foi alterado, com a introdução de neologismos – como por exemplo “étant” e “essente”, no francês -, principalmente devido às noções de Martin Heidegger na filosofia.
A distinção entre Ser e Ente, contudo, para a maioria dos filósofos, sempre foi de extrema dificuldade, sobretudo quando se situa o problema para além da análise linguística. Pode-se dizer que, em sua acepção mais radical, ente é Tudo aquilo que existe, uma vez que o método clássico de definição por gênero próximo e diferença específica é inaplicável ao ente, que é a mais universal de todas as noções, mormente, tudo que existe pode ser categorizado como “ente”, inclusive figuras abstratas como as virtudes, os sentimentos, e os números, ou ainda noções coletivas, como Estado, Sociedade etc. (Entes de razão). Em sentido ainda mais acurado, em contraposição ao Ser, o ente pode ser descrito como o ser determinado, uma vez que a filosofia clássica situa as determinações (ou acidentes) como não apenas aquilo que constitui uma, ou várias, propriedades ou atributos do sujeito (mesmo que não lhe sejam essenciais), mas também como Limitação, cuja existência só pode ser definida em função de outro ser (nesta caso, a substância). Neste aspecto, as categorias são atributos, ou acidentes, do ente substancial, e o ente é definido como “Ser determinado”, uma vez que não pode possuir todos os acidentes da mesma forma e ao mesmo tempo.
Inúmeros filósofos atuais insistem na necessidade da diferenciar entre “Ser” e “Ente”, dentre eles Heidegger, que mais recentemente destacou as diferenças entre a problemática do ente (ôntico) e a problemática do ser (ontológica), justificando ainda que a ontologia clássica não é aplicável ao ser, uma vez que o ser (“Sein”) é prévio aos entes (“Seienden”). Assim, apenas a análise existencial do ente, que pergunta pelo Ser-aí (o Dasein) pode realmente compreender, em seu âmago, o sentido do ser.
Contrariamente à visão de Heidegger, Nicolai Hartmann vai na via inversa, e assegura que “O ser e o ente se distinguem da mesma maneira que se distinguem a verdade e o verdadeiro, a realidade do real”. O ens, no sentido da ontologia tradicional, é o objeto da metafísica, enquanto o ser é objeto da ontologia, sendo certo que “é praticamente impossível referir-se ao ser sem investigar o ente”, embora ambos sejam distintos mentalmente.


bookmark_borderO que é ideia

ideia idéia ideia | s. f. 3ª pess. sing. pres. ind. de idear 2ª pess. sing. imp. de idear
i·dei·a i·déi·a i·dei·a
(grego idéa, -as, aparência, maneira de ser, estilo )
substantivo feminino

1. Representação que se forma no espírito.

2. Percepção intelectual.

3. Pensamento.

4. Lembrança, memória.

5. Plano, intenção.

6. Fantasia.

7. Doutrina; sistema.

ideia fixa • A que preocupa o espírito constantemente.

ideia luminosa • Solução ou plano muito bom ou digno de aplauso.

ideia nova • Princípio político ou social tendente a melhorar ou regenerar os povos.

ideia peregrina • Solução ou proposta muito estranha ou desadequada.

ideias avançadas • Política ou crença religiosa considerada mais liberal que a dominante.• Grafia no Brasil: idéia. • Grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990:ideia. • Grafia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990:idéia
• Grafia em Portugal:ideia.
i·de·ar i·de·ar – Conjugar
(ideia + -ar )
verbo transitivo

1. Criar na mente. = CONCEBER, IDEALIZAR, IMAGINAR

2. Pôr na ideia .

3. Definir antecipadamente um plano ou um conjunto de acções ou intenções. = IDEALIZAR, PLANEAR, PLANEJAR,PROJECTAR


Forma alterada após Acordo Ortográfico; ver: ideia.


A palavra ideia é usado em duas acepções: como sinônimo de conceito ou, num sentido mais lato, como expressão que traz implícita uma presença de intencionalidade.A palavra deriva do grego idea ou eidea, cuja raiz etimológica é eidos – imagem. O seu significado, desde a origem, implica a controvérsia entre a teoria da extromissão (Platão) e a da intromissão (Aristóteles). No centro da polémica está o conceito de representação do real (realidade).
Para Platão, a ideia que fazemos de uma coisa provém do princípio geral, do «mundo inteligível», que constitui a Ideia Universal, categoria que está na base da sua filosofia, o idealismo. Assim, a ideia da coisa é uma projeção do saber: ao verem a coisa, os olhos, emitindo raios de luz, projetam a imagem dessa mesma coisa, que existe em nós como princípio universal (extromissão). Esta doutrina é designada por «idealismo».
Para Aristóteles, a ideia da coisa provém da experiência sensível, do «mundo dos fenómenos contingentes»: as coisas emitem cópias de si próprias, através da luz, cópias assimiladas pelos sentidos e interpretadas pelo saber inato ou adquirido (intromissão), doutrina que funda o conceito de «realismo».
Estas noções estão presentes em toda a filosofia ocidental, em particular no campo da ontologia, a ciência do Ser. Condicionaram, durante séculos, o pensamento de filósofos, desde a escolástica até às doutrinas da atualidade, em particular, no campo das chamadas «ciências cognitivas» ou «ciências do conhecimento», que cobrem as áreas da biologia, da cibernética, da robótica, da informática.
O Idealismo é a doutrina segundo a qual o pensamento é a origem e a fonte de todo o conhecimento. Esta doutrina platónica postula a existência de um mundo separado deste mundo físico ou sensível, que é feito de realidades perfeitas e imutáveis, as ideias, modelos ou paradigmas das coisas sensíveis.

As ideias seriam realidades acessíveis apenas através da inteligência, por isso receberam também a designação de mundo inteligível.Segundo Locke, as ideias são aquilo através do qual pensamos, aquilo de que a mente se ocupa quando pensa. É através das ideias que o ser humano exprime o pensamento objetivo. São componentes essenciais da compreensão.
Para Platão as ideias são os únicos componentes do mundo real, constituído por modelos perfeitos e onde o mundo empírico é inferior. Esta doutrina abriu caminho à conceção neoplatónica das ideias como pensamentos de Deus. Mais tarde, com Descartes, as ideias seriam simplesmente aquilo que está na mente de qualquer ser pensante.
Nos nossos dias, as ideias são vistas como dependentes das estruturas sociais e linguísticas e não uma criação independente de uma só mente.
Para David Hume, a ideia é uma cópia fraca das impressões sensíveis, isto é, das imagens que o contacto com a realidade imprime no espírito. Para os empiristas, como Hume, as ideias são um fruto empírico e só nascem através da experiência sensível, o que reduz o conhecimento a simples induções.
Descartes distinguiu três tipos de ideias, que para ele são imagens das coisas. Assim, existem as ideias inatas que são aquelas com as quais nascemos e não o produto da experiência adquirida. Para ele, o ser humano teria à partida ideias gerais, como a de Deus, a de liberdade, de imortalidade, etc.
Existem ainda as ideias adventícias, que surgem do mundo exterior através da experiência, e as ideias factícias, que são as ideias formadas pelo próprio indivíduo através do pensamento. Segundo Descartes, as mais importantes são as ideias inatas, já que, nascidas com o ser humano, são como “sementes de verdade”, postas por Deus no seu espírito para permitir conhecer algumas verdades da Natureza sem que os sentidos tivessem algum papel nessa descoberta.


bookmark_borderO que é devir

devir | v. intr. | s. m.
de·vir – Conjugar
(latim devenio, -ire )
verbo intransitivo

1. Dar-se, suceder, acontecer, acabar por vir.substantivo masculino

2. [Filosofia]   [Filosofia]   Movimento permanente pelo qual as coisas passam de um estado a outro, transformando-se. = MUDANÇA, TRANSFORMAÇÃO


substantivo masculino [Filosofia] Processo de mudanças efetivas pelas quais todo ser passa.
Movimento permanente que atua como regra, sendo capaz de criar, transformar e modificar tudo o que existe; essa própria mudança.
verbo intransitivo Passar a ser; fazer existir; tornar-se ou transformar-se.
Etimologia (origem da palavra devir). Do latim devenire.


Devir (do latim devenire, chegar) é um conceito filosófico que significa as mudanças pelas quais passam as coisas. O conceito de “se tornar” nasceu no leste da Grécia antiga pelo filósofo Heráclito de Éfeso que no século VI a.C. com a famosa citação “Nenhum homem jamais pisa no mesmo rio duas vezes”; é também dito por ele que nada neste mundo é permanente, exceto a mudança e a transformação. Sua teoria está em oposição com a de Parmênides, outro filósofo grego que acreditava que as mudanças ônticas ou os “tornar-se” que percebemos com nossos sentidos é algo enganoso, que há pura perfeição e eternidade por trás da natureza, e que esta é a verdade suprema do Ser. Esse argumento foi afirmado por Parmênides com a famosa citação “o que é, é”. Os estudiosos geralmente acreditavam que Parmênides estava respondendo a Heráclito, ou Heráclito a Parmênides, embora a opinião sobre quem estava respondendo a quem mudou ao longo do século XX.Na filosofia, a palavra “tornar-se” diz respeito de um conceito ontológico específico, estudado também pela filosofia do processo como um todo ou com o estudo relacionado da teologia do processo, em que se considera Heráclito como precursor da abordagem do processo, devido à sua doutrina do fluxo radical.


bookmark_borderO que é ôntico

ôntico | adj.
ôn·ti·co
(grego on, onthos, particípio presente de eimi, ser + -ico )
adjectivo adjetivo

[Filosofia]   [Filosofia]   Relativo ao ser.


adjetivo Particular ao ser, ao ente ou ao que existe realmente, e às suas qualidades.
[Filosofia] Relacionado a ente (existente) que, para o filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976), está no plano da sua existência concreta e não da sua natureza, do ser em si mesmo; opõe-se ao ontológico, ao que se refere à natureza do ente.
[Por Extensão] Em termos gerais, usado para se referir à aparência (coisa material), por oposição à natureza, à essência.
Etimologia (origem da palavra ôntico). Onto + ico.


Ôntico (do grego ὄν, flexão ὄντος: “do que é”) é existência física, real e factual. Refere-se à dimensão concreta e específica e local do ente. Trata-se de uma ontologia “regional” ou limitada que se ocupa exclusivamente do campo dos entes, excluindo a questão do ser, que é o campo da ontologia.


bookmark_borderO que é ontologia

ontologia | s. f.
on·to·lo·gi·a
(onto- + -logia )
nome feminino

1. Teoria metafísica do ser.

2. [Medicina]   [Medicina]   Doutrina (oposta à fisiológica) que abstrai as doenças dos fenómenos regulares da vida.

3. [Informática]   [Informática]   Conjunto estruturado de termos e conceitos que representa um conhecimento sobre o mundo.


substantivo feminino Parte da filosofia que considera o ser em si mesmo, na sua essência, independentemente do modo em que se manifesta.
[Por Extensão] Reunião de conceitos e definições; representação de um conceito compartilhado.
[Informática] Técnica de organização de informação, como representação de um conhecimento, buscando compartilhar e reutilizar essas informações.
[Filosofia] Parte da filosofia que se dedica ao estudo das características mais gerais do ser, separando-as das categorizações que ofuscam sua essência absoluta.
[Filosofia] Raciocínio sobre a significação mais geral do ser, exemplificando aquilo que faz com que seja possível as várias existências.
[Medicina] Ciência que analisa o ser da patologia, principalmente o ser das febres, tendo em conta a maneira como a doença se origina, seguindo um modelo bem delimitado.
Etimologia (origem da palavra ontologia). Onto + logia.


Ontologia (do grego ontos “ente” e logoi, “ciência do ser”) é a parte da metafísica que trata da natureza, realidade e existência dos entes. A ontologia trata do ser enquanto ser, isto é, do ser concebido como tendo uma natureza comum que é inerente a todos e a cada um dos seres objeto de seu estudo. A aparição do termo data do século XVII, e corresponde à divisão que Christian Wolff realizou quanto à metafísica, seccionando-a em metafísica geral (ontologia) e as especiais (Cosmologia Racional, Psicologia Racional e Teologia Racional). Embora haja uma especificação quanto ao uso do termo, a filosofia contemporânea entende que metafísica e ontologia são, na maior parte das vezes, sinônimos, muito embora a metafísica seja o estudo do ser e dos seus princípios gerais e primeiros, sendo portanto, mais ampla que o escopo da ontologia.


bookmark_borderO que é ser

ser | v. cop. | v. tr. | v. intr. | v. auxil. | s. m.
ser |ê| ser |ê| – Conjugar
(latim sedeo, -ere, estar sentado )
verbo copulativo

1. Serve para ligar o sujeito ao predicado, por vezes sem significado pleno ou preciso (ex.: o dicionário é útil).

2. Corresponder a determinada identificação ou qualificação (ex.: ele era muito alto; ela é diplomata).

3. Consistir em.

4. Apresentar como qualidade ou característica habitual (ex.: ele é de manias; ela não é de fazer essas coisas).

5. Estar, ficar, tornar-se.

6. Exprime a realidade.

7. Acontecer, ocorrer, suceder.

8. Equivaler a determinado valor, custo ou preço (ex.: este relógio é 60€).verbo transitivo

9. Pertencer a (ex.: o carro é do pai dele).

10. Ter como proveniência (ex.: o tapete é de Marrocos).

11. Preferir ou defender (ex.: eu sou pela abolição da pena de morte).verbo intransitivo

12. Exprime a existência.

13. Acontecer, suceder (ex.: não sei o que seria, se vocês se fossem embora).

14. Indica o momento, o dia, a estação, o ano, a época (ex.: já é noite; são 18h00).verbo auxiliar

15. Usa-se seguido do particípio passado, para formar a voz passiva (ex.: foram ultrapassados, tinha sido comido, fora pensado, será espalhado, seríamos enganados).substantivo masculino

16. Aquilo que é, que existe. = ENTE

17. O ente humano.

18. Existência, vida.

19. O organismo, a pessoa física e moral.

20. Forma, figura.

a não ser que • Seguido de conjuntivo , introduz a condição para que algo se verifique (ex.: o atleta não pretende mudar de clube, a não ser que a proposta seja mesmo muito boa).

não poder deixar de ser • Ser necessário; ter forçosamente de ser.

não poder ser • Não ser possível.

não ser para graças • Não gostar de brincadeiras; ser valente.

o Ser dos Seres • Deus.

ser alguém • Ser pessoa importante e de valia.

ser com • Proteger.

ser dado a • Ter inclinação para.

ser da gema • Ser genuíno.

ser de crer • Ser crível; merecer fé.

ser humano • O homem. = HUMANO

ser pensante • O homem.


verbo predicativo Possuir identidade, particularidade ou capacidade inerente: Antônia é filha de José; esta planta é uma samambaia; a Terra é um planeta do sistema solar.
Colocar-se numa condição ou circunstância determinada: um dia serei feliz.
[Gramática] Usado na expressão de tempo e de lugar: são três horas; era em Paris.
verbo intransitivo Pertencer ao conjunto dos entes concretos ou das instituições ideais e abstratas que fazem parte do universo: as lembranças nos trazem tudo que foi, mas o destino nos mostrará tudo o que será.
Existir; fazer parte de uma existência real: éramos os únicos revolucionários.
verbo predicativo e intransitivo Possuir ou preencher um lugar: onde será sua casa? Aqui foi uma igreja.
Demonstrar-se como situação: a festa será no mês que vem; em que lugar foi isso?
Existir: era uma vez um rei muito mau.
Ser com. Dizer respeito a: isso é com o chefe.
verbo predicativo e auxiliar Une o predicativo ao sujeito: a neve é branca.
[Gramática] Forma a voz passiva de outros verbos: era amado pelos discípulos.
[Gramática] Substitui o verbo e, às vezes, parte do predicado da oração anterior; numa oração condicional iniciada por “se” ou temporal iniciada por “quando” para evitar repetição: se ele faz caridade é porque isso lhe traz vantagens políticas.
[Gramática] Combinado à partícula “que” realça o sujeito da oração: eu é que atuo.
[Gramática] Seguido pelo verbo no pretérito perfeito composto: o ano é acabado.
substantivo masculino Pessoa; sujeito da espécie humana.
Criatura; o que é real; ente que vive realmente ou de modo imaginário.
A sensação ou percepção de si próprio.
A ação de ser; a existência.
Etimologia (origem da palavra ser). Do latim sedẽo.es.sẽdi.sessum.sedẽre.


Na filosofia, ser significa a existência de uma coisa. Tudo o que existe é ser. Ontologia é o ramo da filosofia que estuda o ser. Ser é um conceito que engloba características objetivas e subjetivas da realidade e da existência. O conceito de ser atravessa toda a história da filosofia, desde os seus primórdios. Embora já colocado pela filosofia indiana desde o século IX a.C., foi o eleata Parmênides quem introduziu, no Ocidente, esse longo debate, que percorre os séculos e as diversas culturas até os nossos dias.
O Ser é portanto um dos conceitos fundamentais da tradição filosófica ocidental. Platão acreditava que o ser é o poder existir.Usualmente, na tradição grega, a palavra “ser” (einai) assume quatro significados diferentes os quais serão apresentados por Platão no diálogo Sofista de maneira mais detalhada solucionando, dessa forma, os problemas lógicos e semânticos que subjazem a algumas das formulações centrais da República.1. Existência: para exprimir o fato de que determinada coisa existe. Por exemplo: “a erva é” (= existe)”, mas também “o unicórnio é” (ao menos no sentido de existência mental). Lembremos que os gregos não tinham uma palavra específica para a existência.
2. Identidade: para identificar e/ou distinguir algo e/ou alguém em relação a si mesmo e/ou aos outros. Por exemplo “A=A” ou “A beleza é bela”
3. Predicação: para exprimir uma propriedade de determinado objeto. Por exemplo: “y é x” ou a maçã é vermelha. Platão descobriu que é condição da predicação “não haver identidade entre os referentes dos nomes colocados nas posições de sujeito e predicado.” . Por exemplo: “Vênus é a estrela da manhã”. Gramaticalmente, temos um sujeito e um predicado, mas logicamente temos uma falsa predicação, pois “Vênus” e a “estrela da manhã” são termos cujo objeto é o mesmo, um dos planetas do Sistema Solar.
4. Veritativo: Nos diálogos da velhice, Platão conseguiu separar os valores veritativos da ontologia, ou seja, verdadeiro e falso passaram a ser qualidades do discurso sobre o mundo. Platão desloca a verdade do SER para o discurso. O sentido metalinguístico veridical permite ao verbo SER significar a verdade de uma proposição.
Platão propõe também níveis de existência e graus de realidade para os seres a partir de conceitos como Teoria das Formas, mundo inteligível e a analogia da linha dividida. Aristóteles afirma que o ser verdadeiro é eterno e anterior ao não ser, já existindo em atualidade antes de potencialidade.Em filosofia, ser é considerado não só como um verbo (existir) mas também como substantivo (“tudo o que é”). Os termos ser e existência podem ter significados diferentes, embora, na linguagem corrente, possam ser sinônimos (“ser” como “o fato de ser” = existência).
As formas identitativa e predicativa são objeto de estudo da lógica.


bookmark_borderO que é tempo

tempo | s. m.
tem·po
(latim tempus, oris )
substantivo masculino

1. Série ininterrupta e eterna de instantes.

2. Medida arbitrária da duração das coisas.

3. Época determinada.

4. Prazo, demora.

5. Estação, quadra própria.

6. Época (relativamente a certas circunstâncias da vida, ao estado das coisas, aos costumes, às opiniões).

7. Estado da atmosfera.

8. [Por extensão]   [Por extensão]   Temporal, tormenta.

9. Duração do serviço militar, judicial, docente, etc.

10. A época determinada em que se realizou um facto ou existiu uma personagem.

11. Vagar, ocasião, oportunidade.

12. [Gramática]   [Gramática]   Conjunto de inflexões do verbo que designam com relação à actualidade , a época da acção ou do estado.

13. [Música]   [Música]   Cada uma das divisões do compasso.

14. [Linguagem poética]   [Linguagem poética]   Diferentes divisões do verso segundo as sílabas e os acentos tónicos .

15. [Esgrima]   [Esgrima]   Instante preciso do movimento em que se deve efectuar uma das suas partes.

16. [Geologia]   [Geologia]   Época correspondente à formação de uma determinada camada da crusta terrestre.

17. [Mecânica]   [Mecânica]   Quantidade do movimento de um corpo ou sistema de corpos medida pelo movimento de outro corpo.

a tempo • De forma pontual ou dentro do prazo previsto.

a seu tempo • Em ocasião oportuna.

com tempo • Com vagar, sem precipitação; antes da hora fixada.

dar tempo ao tempo • Esperar ocasião.

matar o tempo • Entreter-se.

perder o tempo • Não o aproveitar enquanto é ocasião; trabalhar em vão; não ter bom êxito.

perder tempo • Demorar-se.

tempo civil • Tempo solar médio adiantado de doze horas. (O tempo civil conta-se de 0 a 24 horas a partir da meia-noite, com mudança de data à meia-noite.)

tempo da Maria Cachucha • Tempos muito antigos ou antiquados, desactualizados (ex.: isso é do tempo da Maria Cachucha).

tempo de antena • Duração determinada de emissões de rádio ou de televisão difundidas no quadro da programação.

tempo dos afonsinhos • Tempos muito antigos ou antiquados, desactualizados (em alusão à época em que reinaram os primeiros Afonsos de Portugal) (ex.: ritual praticado desde o tempo dos afonsinhos). = ERA DOS AFONSINHOS

tempo sideral • Escala de tempo baseada no ângulo horário do ponto vernal.

tempo solar médio • Tempo solar verdadeiro, sem as suas desigualdades seculares e periódicas. (O tempo médio conta-se de 0 a 24 horas a partir do meio-dia.)

tempo solar verdadeiro • Escala de tempo baseada no ângulo horário do centro do Sol.

tempos primitivos • [Gramática]   • [Gramática]   Conjunto de tempos verbais de que os outros se formam pela mudança das desinências.

tempo universal • Tempo civil de Greenwich, em Inglaterra (sigla: T.U.).

tempo universal coordenado • Escala de tempo difundida pelos sinais horários (sigla internacional: UTC).

tempos heróicos • Aqueles em que viveram os heróis (século XX ao XII a. C.).


substantivo masculino Período sem interrupções no qual os acontecimentos ocorrem; continuidade que corresponde à duração das coisas (presente, passado e futuro); o que se consegue medir através dos dias, dos meses ou dos anos; duração: quanto tempo ainda vai demorar esta consulta? Esse livro não se estraga com o tempo.
Certo intervalo definido a partir do que nele acontece; época: o tempo dos mitos gregos.
Parte da vida que se difere das demais: o tempo da velhice.
Período específico que se situa no contexto da pessoa que fala ou sobre quem esta pessoa fala: no tempo do meu pai os carros eram mais bonitos.
Circunstância oportuna para que alguma coisa seja realizada: preciso de tempo para viajar.
Reunião das condições que se relacionam com o clima: previsão do tempo.
Período favorável para o desenvolvimento de determinadas atividades: tempo de colheita.
Esportes. Numa partida, cada uma das divisões que compõem o jogo: primeiro tempo.
Esportes. O período total de duração de uma corrida ou prova: o nadador teve um ótimo tempo.
[Gramática] Flexão que define o exato momento em que ocorre o fato demonstrado pelo verbo; presente, pretérito e futuro são exemplos de tempos verbais.
[Gramática] As divisões menores em que a categoria do tempo se divide: tempo futuro; tempos do imperativo.
[Música] Unidade que mede o tempo da música, através da qual as relações de ritmo são estabelecidas; pulsação.
[Música] A velocidade em que essas unidades de medidas são executadas num trecho musical; andamento.
[Figurado] Ao ar livre: não deixe o menino no tempo!
Etimologia (origem da palavra tempo). Do latim tempus.oris.


O tempo é uma grandeza física presente não apenas no cotidiano como também em todas as áreas e cadeiras científicas. Uma definição do mesmo em âmbito científico é por tal não apenas essencial como também, em verdade, um requisito fundamental. Contudo isto não significa que a ciência detenha a definição absoluta de tempo: ver-se-á que tempo, em ciência, é algo bem relativo, não só em um contexto cronológico – afinal, as teorias científicas evoluem – como em um contexto interno ao próprio paradigma científico válido atualmente.Em física, tempo é a grandeza física diretamente associada ao correto sequenciamento, mediante ordem de ocorrência, dos eventos naturais; estabelecido segundo coincidências simultaneamente espaciais e temporais entre tais eventos e as indicações de um ou mais relógios adequadamente posicionados, sincronizados e atrelados de forma adequada à origem e aos eixos coordenados do referencial para o qual define-se o tempo.Definido desta forma, o tempo parece algo simples, mas várias considerações e implicações certamente não triviais decorrem desta, mostrando mais uma vez que este companheiro inseparável de nosso dia a dia é mais misterioso e sutil do que se possa imaginar. Medir o tempo envolve geralmente bem mais do que apenas justapor um relógio a um evento e anotar sua indicação.
As formas de se atrelar os relógios ao eixos espaciais (ou não), e de sincronizá-los, variam bastante segundo o contexto; sendo bem distintas no âmbito da mecânica clássica e da mecânica relativística.
Conforme definido, a grandeza tempo encontra-se intrinsecamente relacionada à grandeza energia, aos conceitos de coincidência (espacial e/ou temporal), de simultaneidade, e de referencial. As relações entre energia e tempo são tão estreitas que estas duas grandezas são ditas grandezas conjugadas, tanto ao considerar-se teorias físicas já há tempos consolidadas, como a termodinâmica, como ao considerar-se teorias da física moderna, como a relatividade ou a física quântica.
Na mecânica clássica tem-se por definição que a coincidência temporal na observação de eventos em um dado referencial implica a simultaneidade destes dois eventos neste e em quaisquer outros referenciais, sendo o tempo neste contexto definido como uma grandeza absoluta e explicitamente independente do referencial. Na mecânica clássica um observador situado na origem do sistema de coordenadas atrelados ao referencial observa todos os eventos que se dão em um mesmo tempo no mesmo instante, independente das posições espaciais nas quais eles se dão. A informação propaga de forma instantânea pelo espaço.
O avanço dos recursos experimentais e a evolução das teorias para a dinâmica de matéria e energia observados no século XX, contudo, colocaram em xeque o pressuposto que fora assumido no contexto clássico. A teoria da relatividade restrita, conforme publicada por Albert Einstein em 1905, trouxe à tona a explícita dependência da coincidência nas percepções de eventos com o referencial a partir do qual se observam os mesmos: eventos que são coincidentes quando observados a partir da origem de um referencial não o serão em referenciais que movam-se com velocidades apreciáveis em relação ao primeiro, e mesmo para observadores em referenciais estáticos em relação ao primeiro contudo dele distintos não há obrigatoriedade de concordância quanto à coincidência ou não das percepções dos eventos. Neste contexto, em vista de sua definição, o tempo perde o status de grandeza absoluta e universal e passa a ser uma grandeza estritamente local, uma grandeza necessariamente atrelada à origem e aos eixos espaciais coordenados de um referencial em específico.
A dependência do tempo com a energia decorre do processo usado para mensurá-lo. Medir o tempo implica estabelecer um mecanismo físico que produza um dado evento que se repita de forma uniforme e simétrica, e nestes mecanismos repetições uniformes e regulares significam, em acordo com o teorema de Noether quando aplicado à definição de energia, uma energia muito bem definida para o mecanismo de referência. Incertezas na energia deste implicam incertezas na medida do tempo ao usar-se tal mecanismo – tal relógio – para mensurá-lo.
A relação entre energia e tempo é também evidente ao considerar-se a entropia, grandeza física definida no âmbito da termodinâmica quando se consideram os processos onde ocorrem trocas ou concernentes à distribuição de energia, a qual associa-se a capacidade de discernimento do que veio primeiro e do que veio posteriormente em tais sistemas físicos quando considerados de forma isolada. A entropia funciona, nestes termos, como a flecha do tempo: configurações que impliquem maiores valores de entropia para o sistema composto necessariamente sucedem no tempo configurações às quais se associam valores menores de entropia.
Associado à seta do tempo encontra-se também um princípio há muito presente nas teorias científicas: o conceito de causalidade. Embora o advento da mecânica quântica tenha trazido à tona vários debates a respeito da causalidade em sistemas físicos sob seu domínio, mesmo dentro desta teoria é evidente que eventos que guardam relação de causalidade sucedem-se no tempo, com a causa sempre precedendo o efeito. Mesmo ao considerar-se a redução instantânea da função de onda em partículas emaranhadas quando espacialmente separadas – o paradoxo EPR – o comportamento correlacionado observados nas partículas ao reduzir-se a função de onda – ao realizar-se uma medida sobre uma delas – mesmo não encerrando em si uma relação de causa e efeito, e por isto ocorrendo instantaneamente e simultaneamente – de forma não local -, só é possível porque, em algum momento anterior, houve um processo que deu origem ao emaranhamento das partículas, e nestes termos a causa precede o efeito observado, conforme esperado.
Em outras palavras, embora a mecânica quântica suscite o debate sobre causalidade, ela não a contradiz, e a relação de causa efeito é um conceito amplamente difundido em todas as teorias científicas e indissociável do conceito de tempo. Mesmo a relatividade, que trouxe consigo a dependência explícita do tempo com o referencial e os debates quanto à possibilidade de viagem no tempo, preserva a causalidade: se em um referencial o evento 1 é causa do evento 2, precedendo-o no tempo, portanto, em qualquer outro referencial esta relação de causalidade será preservada, mesmo que a medida do intervalo de tempo entre os eventos possa ser expressa mediante valores bem diferente nos diferentes referenciais escolhidos.
A noção em senso comum de tempo é inerente ao ser humano, visto que todos somos, em princípio, capazes de reconhecer e ordenar a ocorrência dos eventos percebidos pelos nossos sentidos. Contudo a ciência evidenciou várias vezes que nossos sentidos e percepções são mestres em nos enganar. A percepção de tempo inferida a partir de nossos sentidos é estabelecida via processos psicossomáticos, nos quais variadas variáveis, muitas com origem puramente psicológica, tomam parte, e assim como certamente todas as pessoas presenciaram em algum momento uma ilusão de ótica, da mesma forma de que em algum momento houve a sensação de que, em certos dias, determinados eventos transcorreram de forma muito rápida, e de que em outros os mesmos eventos transcorreram de forma bem lenta, mesmo que o relógio – aparelho especificamente construído para medida de tempo – diga o contrário.
Embora os pesquisadores não tenham encontrado evidências de um único “órgão do tempo” no cérebro, e de que ainda há muito por se descobrir em relação aos processos cerebrais responsáveis pela nossa percepção de passagem do tempo, é certo que o conceito baseado em senso comum é muito pouco preciso para mostrar-se confiável ou mesmo útil na maioria das situações, mesmo nas práticas onde estamos acostumados a utilizá-lo. A exemplo, todos certamente já afirmaram, de forma a mais natural: “o tempo corre”, “este ano passou depressa” ou mesmo “esta aula não acaba”. Uma definição científica mais precisa faz-se certamente necessária, e com ela ver-se-á, entre outros, que o tempo, em sua acepção científica, não flui. O tempo simplesmente é.


bookmark_borderO que é objeto

objecto objeto | s. m.
ob·jec·to |ét| ob·je·to |ét| ob·je·to |ét|
substantivo masculino

1. Tudo o que é exterior ao espírito.

2. Coisa.

3. Assunto, matéria, causa, motivo.

4. Fim, escopo.

objecto directo • [Gramática]   • [Gramática]   Palavra ou conjunto de palavras que é seleccionado pelo verbo sem intervenção de uma preposição e que é substituível pelos pronomes pessoais acusativos o(s), a(s) (ex.: entregou o relatório ao chefe; entregou-o ao chefe). = COMPLEMENTODIRECTO

objecto indirecto • [Gramática]   • [Gramática]   Palavra ou conjunto de palavras que é seleccionado pelo verbo com intervenção de uma preposição e que é substituível pelos pronomes pessoais dativos me, te, lhe, nos, vos, lhes (ex.: entregou o relatório ao chefe; entregou-lhe o relatório). = COMPLEMENTOINDIRECTO

objecto oblíquo • [Gramática]   • [Gramática]   Palavra ou conjunto de palavras que é seleccionado pelo verbo com intervenção de uma preposição e que não é substituível pelos pronomes pessoais dativos (ex.: preciso do relatório). = COMPLEMENTO OBLÍQUO• Grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990: objeto. • Grafia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990:objecto.
• Grafia no Brasil: objeto. • Grafia em Portugal:objecto.


substantivo masculino Toda coisa material que pode ser percebida pelos sentidos.
Causa, motivo de um sentimento, de uma ação: o objeto do desejo.
Tudo o que se oferece ao espírito, que o ocupa: objeto de preocupação.
Assunto de uma área do conhecimento: o objeto da filosofia.
Mercadoria, artigo, bem de consumo.
[Jurídico] Aquilo sobre o que incide um direito, uma obrigação, um contrato, uma demanda em juízo.
[Filosofia] O que é pensado e se opõe ao ser pensante, sujeito.
[Gramática] Complementos verbais: objeto direto e objeto indireto.
Etimologia (origem da palavra objeto). Do latim objectus.


Objeto (AO 1945: Objecto) (latim: obiectum, significa atirado adiante) é, segundo a etimologia da palavra, o que é posto diante. O correspondente alemão, Gegenstand, apresenta a mesma significação: “o que está diante, em frente”. Desta forma, a terminologia filosófica rigorosa percebe “uma relação com alguém, em face de quem o objeto se encontra” e não “como simples sinônimo de coisa”.