bookmark_borderO que é solipsismo

solipsismo | s. m.
so·lip·sis·mo
(solipso + -ismo )
nome masculino

Vida ou hábitos de solipso ou de indivíduo solitário.


substantivo masculino [Filosofia] Doutrina filosófica cujos preceitos se pautam numa única realidade representada somente pelo eu empírico.
[Filosofia] Teoria filosófica segundo a qual nada existe fora do pensamento individual, sendo a percepção (das coisas e/ou das pessoas) uma impressão sem existência real.
[Por Extensão] Modo de vida ou hábitos de quem vive na solidão.
Etimologia (origem da palavra solipsismo). Do latim sol(i) + do latim ipse.a.um + ismo.


Solipsismo (do latim “solu-, «só» +ipse, «mesmo» +-ismo”.) é a concepção filosófica de que, além de nós, só existem as nossas experiências. O solipsismo é a consequência extrema de se acreditar que o conhecimento deve estar fundado em estados de experiência interiores e pessoais, não se conseguindo estabelecer uma relação direta entre esses estados e o conhecimento objetivo de algo para além deles. O “solipsismo do momento presente” estende este ceticismo aos nossos próprios estados passados, de tal modo que tudo o que resta é o eu presente.
A neoescolástica define o solipsismo como uma forma de idealismo, que incorreria no egoísmo pragmático, que insurge pós proposição cartesiana “cogito, ergo sum”; solipsismo é atribuída por Max Stirner como uma reação contra Hegel e sua acentuação do universal; o solipsismo somente tem por certo, inconteste, o ato de pensar e o próprio eu. Assim, tudo o mais pode ser contestado ou posto em dúvida.
O solipsismo designa uma doutrina filosófica que reduz toda a realidade ao sujeito pensante; doutrina segundo a qual só existem efetivamente o eu e suas sensações, sendo os outros entes (seres humanos e objetos), como participante da única mente pensante, meras impressões sem existência própria (embora frequentemente considerada uma possibilidade intelectual); doutrina segundo a qual a única realidade no mundo é o eu; designação comum a religiosos de certas ordens que se isolam do mundo; vida ou conjunto de hábitos de um indivíduo solitário; vida ou costume de quem vive na solidão; monge que vive na solidão, anacoreta, eremita, ermitão, celibatário, solipso. O solipsismo reveste muitos matizes através da história da filosofia, mas podemos resumi-los em três tendências fundamentais:


bookmark_borderO que é dinamismo

dinamismo | s. m.
di·na·mis·mo
(grego dúnamis, eos, poder, força, capacidade, potência + ismo )
substantivo masculino

Sistema que considera a matéria animada por forças inerentes e permanentes, sem as quais não existiria.


substantivo masculino Particularidade, característica, estado ou condição do que ou de quem é ou demonstra energia e movimento; energia e/ou vitalidade.
Reunião das forças que estimulam, movimentam ou animam o sujeito (ser).
Tendência para o que é empreendedor; espírito energético; energia ou vitalidade: o dinamismo do novo gerente contagiou toda a empresa.
[Filosofia] Ideologia ou forma de pensamento cujos preceitos básicos afirmam que o movimento é a origem do universo e o princípio criador da matéria.
Etimologia (origem da palavra dinamismo). Dínam(o) + ismo; pelo francês dynamisme.


Em metafísica, dinamismo é um nome geral para um grupo de visões filosóficas sobre a natureza da matéria. Por mais diferentes que possam ser em outros aspectos, todas essas opiniões concordam em fazer questão consistindo essencialmente em unidades, substâncias ou forças simples e indivisíveis. O dinamismo às vezes é usado para designar sistemas que admitem não apenas matéria e extensão, mas também determinações, tendências e forças intrínsecas e essenciais à matéria. Mais apropriadamente, no entanto, significa sistemas exclusivos que eliminam o dualismo da matéria e da força, reduzindo o primeiro para o último. Isto é evidente na formulação clássica de Leibniz.


bookmark_borderO que é materialismo

materialismo | s. m.
ma·te·ri·a·lis·mo
nome masculino

1. Sistema dos que, no Universo, apenas admitem matéria, sem nada de espiritual.

2. Carácter do materialista.


substantivo masculino [Pejorativo] Modo de vida voltado completamente para os bens materiais e para os prazeres que eles proporcionam.
[Filosofia] Doutrina que destaca a importância da matéria sobre o espírito, sobre a mente, como base para o desenvolvimento do universo, estando a natureza submissa aos seus efeitos.
[Filosofia] Marxismo. O que é necessário à sobrevivência do ser humano e que estrutura economicamente a vida em sociedade.
Etimologia (origem da palavra materialismo). Material + ismo.


Em filosofia, materialismo é o tipo de fisicalismo que sustenta que a única coisa da qual se pode afirmar a existência é a matéria; que, fundamentalmente, todas as coisas são compostas de matéria e todos os fenômenos são o resultado de interações materiais; que a matéria é a única substância. Como teoria, o materialismo pertence à classe da ontologia monista. Assim, é diferente de teorias ontológicas baseadas no dualismo ou pluralismo. Em termos de explicações da realidade dos fenômenos, o materialismo está em franca oposição ao idealismo e ao metaficismo, deixando bem claro que o materialismo pode sim se co-relacionar com o idealismo e vice-versa em alguns casos, mas o real oposto da materialidade é mesmo o sentido da metafisicidade.


bookmark_borderO que é reducionismo

reducionismo | s. m.
re·du·ci·o·nis·mo
(latim reductio, -onis, acção de reconduzir ou de fazer voltar + -ismo )
nome masculino

Teoria ou atitude que pretende reduzir ou decompor conceitos ou fenómenos complexos em outros mais simples.


substantivo masculino [Filosofia] Tendência consistente em reduzir os fenômenos complexos a seus componentes mais simples e considerar estes últimos como mais fundamentais que os fenômenos complexos observados.


Reducionismo, em filosofia, é um conjunto de teorias correlatas que afirmam, grosso modo, que objetos, fenômenos, teorias e significados complexos podem ser sempre reduzidos, ou seja, expressos em unidades diferentes, a fim de explicá-los em suas partes constituintes mais simples.

Reducionismo ontológico é a ideia de que tudo que existe é feito de um pequeno número de substâncias básicas que se comportam de forma regular. Comparar com monismo. Michael Ruse criticou o reducionismo ontológico como um argumento indevido contrário ao vitalismo.
Reducionismo metodológico: é a ideia de que as explicações, como as científicas, devem ser continuamente reduzidas às entidades mais simples possíveis. A navalha de Occam é a base deste tipo de reducionismo.
Reducionismo teórico é a ideia de que explicações ou teorias antigas não são geralmente substituídas por novas, e sim as novas teorias são refinamentos ou reduções mais detalhadas das antigas.
Reducionismo científico: tem sido usado para descrever todas as ideias acima no que se refere à ciência, mas é mais frequentemente usado para descrever a ideia de que todos os fenômenos podem ser reduzidos a explicações científicas.
Reducionismo semântico (também conhecido como atomismo semântico) é a ideia de que o significado das expressões linguísticas é uma função do significado de certas partes constitutivas básicas, como as palavras. O seu oposto é a ideia de que unidades de significado complexas, como as sentenças ou mesmo teorias inteiras, são semanticamente primitivas e as partes (palavras e sentenças, respectivamente) só adquirem significado em função desse todo.
Reducionismo linguístico é a ideia de que tudo pode ser descrito em uma linguagem com um número limitado de conceitos básicos, e a combinação destes. São exemplos deste reducionismo o inglês básico, línguas artificiais e a linguagem construída Toki Pona.
O termo reducionismo ambicioso foi cunhado por Daniel Dennett para criticar as formas de reducionismo que tentam explicar muito com muito pouco.
Reducionismo analítico denomina os a priori que subjazem no reducionismo ontológico.O oposto das ideias do reducionismo constitui o holismo: a ideia de que objetos, fenômenos, teorias e significados têm propriedades como um todo, que não são explicáveis a partir das propriedades de suas partes.


bookmark_borderO que é hilozoísmo

hilozoísmo | s. m.
hi·lo·zo·ís·mo
(grego húle, -es, floresta, madeira, matéria + grego zôion, -ou, animal + -ismo )
nome masculino

Sistema que atribui a vida à matéria.


substantivo masculino [Filosofia] Doutrina segundo a qual a matéria é dotada de vida, ou a matéria e a vida são inseparáveis. Aplica-se particularmente às teorias rudimentares dos filósofos jônicos.
Etimologia (origem da palavra hilozoísmo). Hilo + zoo + ismo.


Hilozoísmo -do grego hyle, matéria, e zoe, vida- é um termo que designa uma concepção da matéria e, por extensão, de toda a natureza. Os hilozoístas consideram que toda a realidade, inclusive a inerte, está dotada de sensibilidade e, portanto, animada por um princípio activo.
Foi a doutrina da escola jônica grega (séculos VII-VI a.C.), escola pertencente ao grupo de filósofos chamados pré-socráticos. A escola estoica chegou a considerar o Universo como um ser vivo.


bookmark_borderO que é teleologia

teleologia | s. f.
te·le·o·lo·gi·a
nome feminino

1. [Filosofia]   [Filosofia]   Ciência das causas finais.

2. Teoria que explica os seres, pelo fim a que aparentemente são destinados.


substantivo feminino Ciência que se pauta no conceito de finalidade (causas finais) como essencial na sistematização das alterações da realidade, existindo uma causa fundamental que rege, através de metas, propósitos e objetivos, a humanidade, a natureza, seus seres e fenômenos.
[Jurídico] Estudo baseado em especulações sobre o motivo, a essência, a natureza e o propósito dos preceitos legais.
[Filosofia] Doutrina que se pauta na ideia de que os seres e o universo caminham e compartilham uma única finalidade, sendo ela permanente e não compreendida na sua totalidade.
Etimologia (origem da palavra teleologia). Do grego téleios, final + logos, tratado + ia; pelo francês teléologie.


A teleologia (do grego τέλος, finalidade, e -logía, estudo) é o estudo filosófico dos fins, isto é, do propósito, objetivo ou finalidade. Embora o estudo dos objetivos possa ser entendido como se referindo aos objetivos que os homens se colocam em suas ações, em seu sentido filosófico, teleologia refere-se ao estudo das finalidades do universo. Platão e Aristóteles elaboraram essa noção do ponto de vista filosófico.
No Fédon, Platão afirma que a verdadeira explicação de qualquer fenômeno físico deve ser teleológica. Ele se queixa daqueles que não distinguem entre as causas necessárias e causas suficientes das coisas, que ele identifica, respectivamente, como a causa material e a causa teleológica. Ele diz que os materiais que compõem um corpo são condições necessárias para seu movimento e ação de uma determinada maneira, mas que os materiais não podem ser condições suficientes para seu movimento e ação, que seriam determinados pelas finalidades impostas pelo demiurgo (Deus-artesão).
Aristóteles desenvolveu a ideia de causa final que ele acreditava que era explicação determinante de todos os fenômenos. Sua ética afirmava que o Bem em si mesmo é o fim a que todo ser aspira, resultando na perfeição, na excelência, na arte ou na virtude. Todo ser dotado de razão aspira ao Bem como fim que possa ser justificado pela razão. A teleologia de Aristóteles é estreitamente relacionada à sua teoria do ato e potência.Ernst Mayr aponta que o conceito de teleologia, na história da filosofia e das ciências, é utilizado em diversos contextos, referindo-se a diversos fenômenos estruturalmente diferentes. Dentre os processos e fenômenos aos quais foi tradicionalmente utilizado o conceito de teleologia, Mayr aponta os seguintes:A) Teleomatismo: ocorre quando o investigador percebe que certas características de um fenômeno, sistema ou processo estudado apresentam uma tendência de mudança para um certo estado final. Ou seja, dado um estado inicial determinado, parece válido inferir que ele necessariamente se desenvolverá rumo a este termo previsto.
B) Características seletivas: ocorre em situações em que vários objetos (como sistemas complexos) são produzidos aleatoriamente, com características e organizações diferentes entre si, e que, devido às restrições do ambiente, apenas um número limitado destes tipos de objeto consegue se manter ao longo do tempo. Neste caso, é comum, quando se pergunta o porquê de alguma característica do objeto existir, concluir-se que esta tem ou teve a função de assegurar a sobrevivência do objeto; embora, após uma análise mais aprofundada, seja preciso reconhecer que essa característica foi gerada aleatoriamente, ou ao menos, sem um “desejo premeditado” por parte do objeto.
C) Teleonomia: ocorre quando um objeto ou sistema se orienta em direção a metas que devem ser alcançadas. Para alcançar estas metas (postas como causas finais), o objeto se adapta às características e restrições do meio onde está, calculando o que parece a melhor maneira de atingir seu objetivo. A teleonomia pode ser compreendida com uma analogia ao conceito de programa, pelo qual, através de uma organização especial do sistema em questão, o torna apto a buscar certas metas de maneira mais ou menos eficiente, as quais, portanto vão regular os processos e ações deste sistema. Mayr, dentro desta mesma analogia, propõe também a diferenciação entre programas fechados, isto é, em que as metas e a maneira de alcançá-las são definidas previamente ao início do processo, e os programas abertos, em que a programação ou mesmo as metas podem ser alteradas ao longo da história do sistema, dependendo de sua interação com o meio.
D) Comportamento proposital: o entendimento deste tipo de fenômeno requer a pressuposição da existência de uma subjetividade pensante. Este pólo de subjetividade coloca para si metas a cumprir, e age com propósito (intenção) de alcançar estas metas. A característica principal do comportamento proposital é o reconhecimento de que o sistema complexo analisado seja consciente de suas metas (ou de parte delas), e que procure satisfazê-las a partir da atividade pensante.
E) Teleologia cósmica: que recorre à imputação de uma finalidade, ou desígnio, transcendente encarnada na totalidade estudada (natureza, universo, cosmos, etc.), ou mesmo posta e dirigida por algo acima desta totalidade. Mayr criticou veementemente o uso desta suposta teleologia transcendente vinculada a teorias científicas.